Fábio Trindade, defensor da médica, critica a falta de assistência psiquiátrica no sistema prisional e o tratamento “desumano” dado à cliente.
O advogado Fábio Trindade, que representava a médica Daniele Barreto, lamentou a morte da cliente e fez duras críticas ao sistema judiciário e à gestão prisional de Sergipe. Em entrevista a uma rádio local, ele classificou o ocorrido como uma “tragédia anunciada”, ressaltando a falta de assistência psiquiátrica na unidade prisional.
Trindade relatou que solicitou atendimento psiquiátrico para Daniele assim que ela chegou ao Presídio Feminino (Prefem), em Nossa Senhora do Socorro, mas foi informado de que o profissional não estava disponível, e que a instituição não contava com um psiquiatra. Ele afirmou que o psiquiatra que acompanhava a médica já havia alertado sobre o alto risco de suicídio, e que ela não deveria ficar sozinha.
O advogado também expressou sua indignação com a forma como foi informado da morte. Ele soube do falecimento por uma amiga da cliente, enquanto estava no presídio aguardando uma visita.
Segundo Trindade, a própria Daniele já havia manifestado a intenção de tirar a própria vida em juízo, e o tratamento dado a ela foi “desumano”. Ele descreveu a estrutura prisional como precária e incapaz de oferecer o tratamento adequado a pessoas com problemas de saúde mental, e fez um apelo para que o judiciário acolha as solicitações de atendimento psiquiátrico feitas pelos advogados.
O advogado ainda mencionou que a cliente sofria de problemas psicológicos agravados por uma vida de “agressões físicas e morais” e que o quadro piorou com a revogação de sua prisão domiciliar. Por fim, ele lamentou o vazamento de imagens da médica após a morte.
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