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Itabaiana

O SOFRIMENTO DE BRANCA

Branca era uma senhora de uns cinquenta e poucos anos, quando passou por uma situação inusitada: após ingerir seu desjejum, danou-se a passar mal, de sorte que não mais pode sair de casa naquele fatídico dia. Na semana seguinte, saiu do Pé do Veado para o Cajueiro, indo à casa de Maria de Basto, onde […]

14/09/2025 · 21h39
O SOFRIMENTO DE BRANCA

Branca era uma senhora de uns cinquenta e poucos anos, quando passou por uma situação inusitada: após ingerir seu desjejum, danou-se a passar mal, de sorte que não mais pode sair de casa naquele fatídico dia.

Na semana seguinte, saiu do Pé do Veado para o Cajueiro, indo à casa de Maria de Basto, onde costumava passar o dia, conversando, ajudando em alguma coisa, para receber uma recompensa sob a forma de farinha, aipim, batata, inhame ou coco.

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Como não viera na semana anterior, entendeu que deveria explicar as razões.
-Maria, nega, na semana passada, eu tive um “estambruiado” da cola. Comi um ovo e o infeliz me fez mal. Passei um dia inteiro pra mode botar o peste pra fora, e nada de ele sair.

Era uma dor, no pé da barriga e no lugar onde a espinha se acaba, que corri doida, mas nada de botar o ovo pá fora. Pode acreditar, fia de Deus, que foi agonia de dois dias para botar o ovo. Nunca sofri dessa forma, muié!

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Basto, ouvindo a lamúria de Branca, arrematou:
-Avalie o sofrimento das galinhas!
-A mode quê, Basto?
-Porque diariamente elas botam um ovo… Olhe que são pequenas… Se a senhora sofreu tanto assim, sendo grande, imagine as pobres penosas!

-Eita, cola! Num é dessa forma que tu tá falando, não. Credo em cruz, enxofrado!

Jerônimo Peixoto

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Branca era uma senhora de uns cinquenta e poucos anos, quando passou por uma situação inusitada: após ingerir seu desjejum, danou-se a passar mal, de sorte que não mais pode sair de casa naquele fatídico dia.

Na semana seguinte, saiu do Pé do Veado para o Cajueiro, indo à casa de Maria de Basto, onde costumava passar o dia, conversando, ajudando em alguma coisa, para receber uma recompensa sob a forma de farinha, aipim, batata, inhame ou coco.

Como não viera na semana anterior, entendeu que deveria explicar as razões.
-Maria, nega, na semana passada, eu tive um “estambruiado” da cola. Comi um ovo e o infeliz me fez mal. Passei um dia inteiro pra mode botar o peste pra fora, e nada de ele sair.

Era uma dor, no pé da barriga e no lugar onde a espinha se acaba, que corri doida, mas nada de botar o ovo pá fora. Pode acreditar, fia de Deus, que foi agonia de dois dias para botar o ovo. Nunca sofri dessa forma, muié!

Basto, ouvindo a lamúria de Branca, arrematou:
-Avalie o sofrimento das galinhas!
-A mode quê, Basto?
-Porque diariamente elas botam um ovo… Olhe que são pequenas… Se a senhora sofreu tanto assim, sendo grande, imagine as pobres penosas!

-Eita, cola! Num é dessa forma que tu tá falando, não. Credo em cruz, enxofrado!

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