Investigação revelou esquema em que vítimas eram convidadas para beber e tinham substâncias colocadas no copo; homem teve prisão preventiva decretada e mulher cumprirá prisão domiciliar.
Uma minuciosa investigação conduzida pela Polícia Civil de Sergipe culminou, nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (17), na prisão de um casal suspeito de envolvimento em graves crimes de violência sexual no município de Graccho Cardoso, no Alto Sertão do estado. Os mandados judiciais foram cumpridos na própria residência dos investigados.
O caso veio à tona e começou a ser apurado após a denúncia corajosa de uma jovem de 20 anos. De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Felipe Tocori, a vítima procurou a delegacia relatando ter sofrido abusos por parte do casal. A partir desse depoimento, um inquérito foi imediatamente instaurado para reunir provas materiais e compreender o modus operandi dos suspeitos.
A Dinâmica do Crime
Segundo os levantamentos policiais, o casal utilizava uma tática de aproximação para atrair mulheres até a residência sob o pretexto de um encontro social para o consumo de bebidas alcoólicas.
No caso específico que baseou a denúncia, os indícios apontam que uma substância entorpecente foi inserida sorrateiramente no copo da jovem, sem o seu conhecimento — prática criminosa popularmente conhecida como golpe do “Boa Noite, Cinderela”. O objetivo da ação era diminuir drasticamente a capacidade de resistência da vítima, viabilizando a prática de atos sexuais sem qualquer consentimento.
A materialidade do crime foi reforçada pelo cumprimento de mandados de busca e apreensão. A perícia técnica realizada nos dispositivos eletrônicos e celulares apreendidos com o casal extraiu elementos contundentes, incluindo conversas e registros relacionados a drogas, bebidas e à exata dinâmica criminosa descrita no depoimento da vítima.
Decisão Judicial
Com o vasto material probatório encaminhado ao Poder Judiciário, a Justiça acatou o pedido de medidas cautelares. O homem teve a prisão preventiva decretada e foi encaminhado ao sistema prisional. Já a mulher, por possuir filhos menores de idade sob sua responsabilidade, teve o benefício da conversão para prisão domiciliar, mediante o monitoramento rigoroso por tornozeleira eletrônica.
O inquérito agora tramita sob segredo de Justiça para preservar a identidade da vítima e não atrapalhar os desdobramentos. A Polícia Civil pede que outras possíveis vítimas ou pessoas que tenham informações relevantes sobre a conduta dos suspeitos entrem em contato de forma totalmente anônima através do Disque-Denúncia (181).
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