O avanço das matrículas em cursos de educação a distância (EaD) no Brasil alcançou um marco histórico: mais de 10 milhões de estudantes estão no ensino superior e, pela primeira vez, 50,7% deles escolheram o modelo on-line. O dado foi comemorado por Jânyo Diniz, CEO do Grupo Ser Educacional e presidente do Sindicato das Instituições de Ensino Superior de Pernambuco, que vê na Inteligência Artificial (IA) o próximo passo para elevar a qualidade da formação acadêmica.
IA para personalizar conteúdos e acelerar competências
Segundo Diniz, a IA não deve substituir docentes nem converter cursos em tutoria automática. O objetivo é integrar sistemas inteligentes ao currículo para:
- identificar lacunas de conhecimento;
- ajustar o ritmo de estudo de cada aluno;
- criar trilhas individuais;
- oferecer feedback em tempo real por meio de simuladores e laboratórios virtuais.
Com essas ferramentas, disciplinas podem ficar alinhadas a habilidades exigidas no mercado, como pensamento computacional, análise de dados e colaboração em ambientes digitais.
Três frentes para enfrentar a automação
Para que a universidade lidere a adaptação às mudanças do trabalho, Diniz propõe três linhas de ação:
- Alfabetização em IA: todos os cursos, de Direito a Enfermagem, devem abordar uso responsável de algoritmos, privacidade e ética.
- Empregabilidade baseada em projetos: conteúdos precisam ser ligados a problemas reais, contando com participação de empresas na mentoria e avaliação.
- Credenciais empilháveis: além do diploma, microcertificações em áreas como programação aplicada, automação de processos e cibersegurança devem ser obtidas ao longo do curso.
Governança, infraestrutura e capacitação docente
O executivo ressalta que a adoção da IA demanda políticas claras de integridade acadêmica, registros transparentes sobre o uso dos modelos e auditorias de resultados. Também são necessários investimentos em conectividade, dispositivos, bibliotecas virtuais e formação continuada de professores para redesenhar aulas e avaliações.
Diniz conclui que, depois de provar capacidade de ampliar o acesso com o EaD, o país precisa transformar o volume de matrículas em ganhos sociais concretos. Para ele, a Inteligência Artificial é a ferramenta capaz de personalizar a aprendizagem e aproximar a sala de aula do mercado de trabalho, mantendo a educação “humana na finalidade e inteligente nos meios”.
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