O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), manter a taxa básica de juros em 15% ao ano. O resultado provocou reações de entidades da indústria, do comércio, da construção civil e de centrais sindicais, que apontam efeitos negativos sobre atividade econômica, crédito e contas públicas.
Indústria vê política contracionista excessiva
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o patamar atual da Selic “sufoca” a produção e afasta o Brasil de países que já iniciaram cortes de juros. Em nota, o presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que a inflação segue em trajetória de queda e que a manutenção de uma política “excessivamente contracionista” impõe custos desnecessários e ameaça o mercado de trabalho.
<pLevantamento inédito da CNI aponta que 80% das empresas do setor indicam os juros como principal obstáculo ao crédito de curto prazo; outros 71% enxergam a taxa como maior barreira para financiamentos de longo prazo.
Construção prevê recuo no ritmo de crescimento
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também demonstrou preocupação. O presidente da entidade, Renato Correia, avaliou que juros elevados encarecem o crédito imobiliário e desestimulam novos projetos. Em outubro, a CBIC reduziu a estimativa de expansão do setor em 2025 de 2,3% para 1,3%, citando o ciclo prolongado de juros altos como principal motivo.
Sindicatos alertam para impacto fiscal
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) calcula que cada ponto percentual adicional na Selic aumenta em cerca de R$ 50 bilhões a despesa anual com juros da dívida pública. “Quase R$ 1 trilhão está sendo direcionado ao rentismo em vez de saúde, educação e infraestrutura”, declarou a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira.
A Força Sindical qualificou o cenário como “era dos juros extorsivos”. Segundo o presidente da central, Miguel Torres, a decisão do Banco Central compromete o consumo e a renda das famílias às vésperas do fim de ano.
Comércio ressalta segunda maior taxa real do mundo
A Associação Paulista de Supermercados (APAS) destacou que o Brasil mantém uma das mais altas taxas reais de juros do planeta. O economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz, afirmou que o patamar atual prejudica investimentos, restringe o consumo e perpetua entraves estruturais ao crescimento.
Associação Comercial defende cautela
A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) adotou tom mais moderado. Para o economista da instituição, Ulisses Ruiz de Gamboa, a manutenção da Selic reflete a combinação de inflação ainda acima da meta, expansão fiscal, resiliência do emprego e incertezas externas, justificando postura “cautelosa” da autoridade monetária.
O Copom voltará a se reunir em dezembro para reavaliar a política de juros.
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