O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Federal de Sergipe (Conepe/UFS) aprovou na segunda-feira, 17, a criação de cotas afirmativas para pessoas trans em todos os cursos de graduação presenciais da instituição.
A decisão é resultado de articulação da deputada estadual Linda Brasil (Psol), primeira mulher trans eleita para a Assembleia Legislativa de Sergipe e reconhecida pela defesa dos direitos da população trans e travesti. A parlamentar participou de reuniões com a comunidade acadêmica, movimentos sociais e a reitoria para viabilizar a proposta.
Linda Brasil lembrou que menos de 0,3% das pessoas trans alcançam o ensino superior e que a expectativa de vida desse grupo no Brasil é de 35 anos, enquanto 90% são empurradas à prostituição pela exclusão social. “Não é privilégio, é justiça social. É garantir que corpos e corpas trans possam ocupar todos os espaços”, afirmou, ressaltando que continuará a lutar para a adoção da medida em todas as instituições federais.
Trajetória de resistência
A deputada ingressou na UFS em 2013 após ter sido forçada à prostituição. Durante a graduação, sofreu transfobia quando um professor se recusou a usar seu nome social, episódio que motivou processo administrativo e resultou na Portaria nº 2209/UFS, que regulamenta o uso do nome social na universidade.
No percurso acadêmico, Linda participou da criação do Coletivo Queer Transfeminista (Des)montadxs e esteve à frente do projeto EducaTrans, cursinho preparatório para o Enem direcionado a pessoas trans, desenvolvido pela Associação do Movimento Sergipano de Travestis e Transexuais (Amosertrans).
Primeira mulher trans a concluir a graduação na UFS, Linda Brasil também obteve o título de mestre em Educação.
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