Investidores do Banco Master, liquidado pelo Banco Central na terça-feira, 18 de novembro, enfrentam uma nova preocupação além do bloqueio de depósitos e aplicações: a proliferação de golpes que prometem antecipar o pagamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O FGC cobre até R$ 250 mil por pessoa na instituição e reforça que não autoriza intermediários, não cobra taxas e não oferece qualquer serviço que acelere a liberação do dinheiro. “A garantia é automática; ofertas de crédito atreladas ao ressarcimento indicam fraude”, alerta Fernando Falchi, gerente de Engenharia de Segurança da Check Point Software Brasil. Segundo ele, a comunicação legítima ocorre exclusivamente pelo aplicativo oficial do FGC.
Principais modalidades de fraude
Os criminosos exploram a ansiedade dos clientes, especialmente aqueles que possuíam Certificados de Depósito Bancário (CDBs), e atuam de duas formas:
1. Phishing e roubo de dados
- Páginas que imitam o site ou o aplicativo do FGC;
- Links maliciosos em redes sociais ou WhatsApp;
- Atendentes falsos solicitando códigos e senhas;
- Aplicativos fraudulentos que instalam malware e monitoram dispositivos em tempo real.
2. Empréstimos predatórios
Ofertas que se apresentam como “adiantamento” do FGC, mas na prática escondem contratos de crédito com juros elevados, reduzindo o valor que o investidor de fato receberá.
Como funciona o ressarcimento real
De acordo com o FGC, o processo legítimo segue cinco etapas:
- Cadastro inicial no aplicativo do FGC, único canal de atendimento;
- Aguardar a lista de credores encaminhada pelo Banco Central, procedimento que leva cerca de 30 dias;
- Habilitar o pedido de ressarcimento no aplicativo, quando a etapa for aberta;
- Finalizar com biometria, envio de documento e assinatura digital;
- Receber o pagamento em até dois dias úteis após a conclusão do pedido.
Qualquer promessa de acelerar ou intermediar essas fases não é reconhecida pelo Fundo.
Contexto da liquidação
Fundado por Daniel Vorcaro, o Banco Master ganhou notoriedade ao oferecer CDBs com rendimento de até 140% do CDI. Meses de dificuldades financeiras culminaram na liquidação extrajudicial e na prisão de executivos em operação da Polícia Federal que apura a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). Com as atividades encerradas, os investidores dependem integralmente do FGC para recuperar seus recursos.
Orientações para evitar golpes
- Utilizar apenas o site e o aplicativo oficiais do FGC ou informações do Banco Central;
- Jamais compartilhar dados pessoais ou senhas com terceiros;
- Desconfiar de qualquer promessa de facilitação, já que a garantia é automática;
- Checar endereços de páginas (URLs) e evitar baixar aplicativos por links recebidos;
- Manter autenticação em dois fatores ativa e antivírus atualizado;
- Confirmar informações antes de agir, principalmente diante de mensagens que gerem sensação de urgência.
O FGC reforça que, diante de dúvidas, o investidor deve consultar diretamente o aplicativo oficial ou os canais de atendimento do Banco Central para confirmar a veracidade de qualquer comunicação.
Com informações de Agência Brasil
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