Rio de Janeiro – Teve início nesta segunda-feira, 1º de dezembro de 2025, no Armazém da Utopia, na região portuária do Rio, a 1ª Cúpula Popular do Brics. O encontro foi concebido para aproximar movimentos sociais do bloco formado por 11 economias emergentes e debater propostas de cooperação voltadas ao Sul Global.
Organizadores informam que o evento será dedicado a temas como cooperação econômica, multilateralismo, construção da multipolaridade, reconfiguração da geopolítica mundial, desafios da governança global, papel do Brics e redução da dependência do dólar nas transações internacionais e na formação de reservas.
Conselho Civil Popular
Criado na Cúpula de Kazan, na Rússia, em 2024, o Conselho Civil Popular do Brics dialoga com governos dos países do bloco. Segundo a organização, o órgão “é marco na consolidação da participação da sociedade organizada”, garantindo espaço para movimentos populares, estudantes, professores e ONGs nas pautas estratégicas.
Esta é a última grande agenda do Brics sob presidência brasileira; a Índia assumirá o comando em 2026.
Participações e expectativas
Em vídeo exibido na abertura, a ex-presidenta Dilma Rousseff, atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, afirmou que a primeira cúpula “consagra a participação da sociedade civil organizada na construção da cooperação do Sul Global” e oferece, pela primeira vez, um canal permanente de diálogo entre povos do bloco e instâncias decisórias.
João Pedro Stedile, integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Conselho Civil dos Brics no Brasil, adiantou que o encontro irá formalizar o funcionamento permanente do conselho para o mandato indiano. “Os governos sabem que, sem a mobilização da sociedade civil, não há como resolver temas como defesa da natureza e moradia popular”, declarou.
Agricultura em destaque
Responsáveis por cerca de 70% da produção agrícola mundial, os países do bloco concentram mais da metade da agricultura familiar do planeta, setor que responde por 80% do valor global de alimentos. A posição estratégica reforça, segundo os organizadores, a responsabilidade do Brics na construção de sistemas alimentares sustentáveis e equitativos, pauta que o conselho popular pretende incorporar às discussões.
A programação da cúpula segue até quarta-feira, 3 de dezembro, com mesas redondas, plenárias e apresentação de propostas para serem levadas às instâncias governamentais do bloco.
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