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Aracaju, Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
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Ação Social

Fé católica e tradição de terreiro se unem nas homenagens à padroeira de Aracaju

A festa em louvor a Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Aracaju, volta a reunir neste 8 de dezembro duas expressões que marcam a identidade religiosa da capital sergipana: o novenário católico dedicado à santa e a Lavagem da Conceição, realizada pelos povos de terreiro em reverência à orixá Oxum. No sincretismo local, a Imaculada […]

08/12/2025 · 20h18 · Atualizado às 19h12
Fé católica e tradição de terreiro se unem nas homenagens à padroeira de Aracaju

A festa em louvor a Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Aracaju, volta a reunir neste 8 de dezembro duas expressões que marcam a identidade religiosa da capital sergipana: o novenário católico dedicado à santa e a Lavagem da Conceição, realizada pelos povos de terreiro em reverência à orixá Oxum.

No sincretismo local, a Imaculada Conceição é associada à divindade das águas doces, da fertilidade, da riqueza e do amor. Essa ligação, consolidada ao longo de décadas, moldou costumes, símbolos e crenças da cidade.

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Devoção católica

A relação de Aracaju com Nossa Senhora da Conceição teve início entre 1855 e 1860, período em que a sede do governo provincial foi transferida de São Cristóvão para a atual capital. A conclusão da Catedral Metropolitana, em 1875, firmou a santa como padroeira do município. O pároco Anderson Gomes ressalta que a imagem permanece no centro da vida espiritual aracajuana. “As pessoas mais velhas carregam uma devoção profunda, porque ela fundou uma geração, uma cultura imbuída na fé católica”, afirma.

Mesmo com a expansão urbana, fiéis retornam à igreja durante a festa para renovar orações e agradecimentos. Segundo o sacerdote, a figura de Maria inspira humildade, esperança e fé em tempos difíceis.

Lavagem da Conceição

Paralelamente, os terreiros celebram a força de Oxum na já tradicional lavagem das escadarias da Catedral. O cortejo nasceu em 1982, quando oito estudantes, aprovados no vestibular, atribuíram a conquista à intercessão de Nossa Senhora da Conceição e decidiram agradecer. Impedidos de realizar a homenagem em frente ao templo, improvisaram a primeira lavagem com baldes de água e flores colhidas na praça, gesto que deu origem ao rito, hoje em sua 43ª edição.

A cerimônia é conduzida pela iyalorixá Angélica de Oliveira, da casa Humkpame Karê Le Wi Oyá Güilê Ginan. Ela destaca que coexistir com a devoção católica é um aprendizado contínuo e defende o combate ao preconceito contra religiões de matriz africana. “Se a pessoa está ali, é porque confia nas duas. Isso é muito positivo para nós”, ressalta.

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O padre Anderson Gomes reforça o respeito mútuo: “A fé só é humana e profundamente mística quando reconhecemos o modo do outro professar sua crença”.

Programação de 8 de dezembro

Católicos

  • 07h – Missa dos devotos
  • 09h30 – Missa solene presidida pelo arcebispo Dom Josafá Menezes
  • 15h30 – Celebração seguida de consagração
  • 16h30 – Procissão pelas ruas do centro, retornando à Catedral
  • 18h – Missa de encerramento

Povos de terreiro

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  • 08h – Concentração na Colina do Santo Antônio
  • 09h – Saída do cortejo, com apresentação sobre a missão dos iniciados
  • Percurso pelas avenidas Simeão Sobral, João Ribeiro e Ivo do Prado, com parada no Mercado para homenagem das “mulheres das flores”
  • Encontro do rio com o mar na Ponte do Imperador e entrega do balaio ritual
  • Chegada à Catedral e lavagem das escadarias

Com missa, procissão e cânticos nas ruas, somados ao perfume de alfazema e às águas levadas pelos terreiros, Aracaju celebra mais um ano de devoção compartilhada entre altares católicos e tradições afro-brasileiras.

 

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A festa em louvor a Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Aracaju, volta a reunir neste 8 de dezembro duas expressões que marcam a identidade religiosa da capital sergipana: o novenário católico dedicado à santa e a Lavagem da Conceição, realizada pelos povos de terreiro em reverência à orixá Oxum.

No sincretismo local, a Imaculada Conceição é associada à divindade das águas doces, da fertilidade, da riqueza e do amor. Essa ligação, consolidada ao longo de décadas, moldou costumes, símbolos e crenças da cidade.

Devoção católica

A relação de Aracaju com Nossa Senhora da Conceição teve início entre 1855 e 1860, período em que a sede do governo provincial foi transferida de São Cristóvão para a atual capital. A conclusão da Catedral Metropolitana, em 1875, firmou a santa como padroeira do município. O pároco Anderson Gomes ressalta que a imagem permanece no centro da vida espiritual aracajuana. “As pessoas mais velhas carregam uma devoção profunda, porque ela fundou uma geração, uma cultura imbuída na fé católica”, afirma.

Mesmo com a expansão urbana, fiéis retornam à igreja durante a festa para renovar orações e agradecimentos. Segundo o sacerdote, a figura de Maria inspira humildade, esperança e fé em tempos difíceis.

Lavagem da Conceição

Paralelamente, os terreiros celebram a força de Oxum na já tradicional lavagem das escadarias da Catedral. O cortejo nasceu em 1982, quando oito estudantes, aprovados no vestibular, atribuíram a conquista à intercessão de Nossa Senhora da Conceição e decidiram agradecer. Impedidos de realizar a homenagem em frente ao templo, improvisaram a primeira lavagem com baldes de água e flores colhidas na praça, gesto que deu origem ao rito, hoje em sua 43ª edição.

A cerimônia é conduzida pela iyalorixá Angélica de Oliveira, da casa Humkpame Karê Le Wi Oyá Güilê Ginan. Ela destaca que coexistir com a devoção católica é um aprendizado contínuo e defende o combate ao preconceito contra religiões de matriz africana. “Se a pessoa está ali, é porque confia nas duas. Isso é muito positivo para nós”, ressalta.

O padre Anderson Gomes reforça o respeito mútuo: “A fé só é humana e profundamente mística quando reconhecemos o modo do outro professar sua crença”.

Programação de 8 de dezembro

Católicos

  • 07h – Missa dos devotos
  • 09h30 – Missa solene presidida pelo arcebispo Dom Josafá Menezes
  • 15h30 – Celebração seguida de consagração
  • 16h30 – Procissão pelas ruas do centro, retornando à Catedral
  • 18h – Missa de encerramento

Povos de terreiro

  • 08h – Concentração na Colina do Santo Antônio
  • 09h – Saída do cortejo, com apresentação sobre a missão dos iniciados
  • Percurso pelas avenidas Simeão Sobral, João Ribeiro e Ivo do Prado, com parada no Mercado para homenagem das “mulheres das flores”
  • Encontro do rio com o mar na Ponte do Imperador e entrega do balaio ritual
  • Chegada à Catedral e lavagem das escadarias

Com missa, procissão e cânticos nas ruas, somados ao perfume de alfazema e às águas levadas pelos terreiros, Aracaju celebra mais um ano de devoção compartilhada entre altares católicos e tradições afro-brasileiras.

 

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