Pelo uso intenso da voz em sala de aula, os profissionais da educação, por exemplo, estão mais suscetíveis a desenvolver alterações vocais
No mês em que é celebrado o Dia do Fonoaudiólogo, o Instituto de Promoção e Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde) ressalta a relevância da especialidade como área essencial para a promoção da qualidade de vida. Responsável pelo cuidado com a comunicação, voz, fala, deglutição e respiração, a fonoaudiologia se destaca entre os pilares do trabalho realizado no Centro de Reabilitação da autarquia.
Em relação à voz, a especialidade abrange ações de prevenção, como a prática de higiene vocal e processos de reabilitação para tratar disfunções vocais, a exemplo de rouquidão, disfonia e sequelas pós-cirúrgicas. Esse cuidado torna-se ainda mais fundamental para profissionais que têm a voz como principal ferramenta de trabalho, como professores, locutores, radialistas, entre outros.
Segundo o fonoaudiólogo do Ipesaúde, Thiago Gonçalves, pelo uso intenso da voz em sala de aula, os profissionais da educação, por exemplo, estão mais suscetíveis a desenvolver alterações vocais. No entanto, muitos deles só buscam ajuda quando os sintomas já estão avançados, quando na verdade a consulta a um profissional especializado deveria ser uma ação preventiva dentro da rotina do cuidado com a saúde.
“São frequentes os casos de pacientes que chegam após quadros de rouquidão, oscilação vocal e fadiga ao falar, que são muitas vezes causados pelo uso contínuo da voz. Aspereza na voz, rouquidão constante e falhas vocais são sinais de alerta. O primeiro passo é procurar um otorrino, que faz a avaliação, e nos encaminha esse paciente”, disse Thiago.
Entre os perfis mais atendidos pelo Ipesaúde estão professores com disfonia e pacientes que passaram por traqueostomia e precisam de suporte para o desmame do procedimento. “A reabilitação vocal não devolve apenas a voz, ela devolve a autonomia, a identidade e a capacidade de manter vínculos familiares, sociais e profissionais”, reforçou o fonoaudiólogo.
Um exemplo dessa transformação é o da professora e beneficiária do Ipesaúde, Aglaê Mendonça, que após uma cirurgia da tireoide enfrentou perda vocal e o medo de não voltar a lecionar. Poer meio do acompanhamento fonoaudiológico com Thiago Gonçalves, exercícios e disciplina, ela recuperou sua capacidade de comunicação e retornou ao ambiente escolar.
A beneficiária relata que ao ser encaminhada ao profissional do Ipesaúde iniciou um acompanhamento intensivo que foi fundamental para vencer o medo e a insegurança. “Cheguei bem angustiada, chorava muito e estava abatida. Eu achava que não voltaria a falar. Foi Thiago que me levou a acreditar que o meu quadro seria revertido”, relembrou.
Após cinco meses de reabilitação, Aglaé voltou às salas de aula e hoje em dia atua na equipe pedagógica, preservando sua saúde vocal. “A voz é meu instrumento de trabalho e também meu elo com minha família e amigos. A nossa vida gira em torno da família, do ciclo social e do trabalho. Voltar a falar foi retomar a minha dignidade”, afirmou a professora.
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