Estratégia dos EUA para os próximos dois meses foca em sufocar a economia de Caracas. Uso da palavra “quarentena” remete à tática de Kennedy na Crise dos Mísseis de 1962.
Em uma escalada de tensão na América Latina, uma autoridade da Casa Branca afirmou à agência Reuters, nesta quarta-feira (24), que os militares norte-americanos concentrarão seus esforços quase exclusivamente em impor uma “quarentena” ao petróleo da Venezuela pelos próximos dois meses.
A declaração marca uma mudança significativa na retórica do governo de Donald Trump. Até então, o termo utilizado era “bloqueio”, mas a alteração para “quarentena” sinaliza que Washington optou, neste momento, por priorizar a asfixia econômica em detrimento de uma ação militar direta de combate.
Bloqueio vs. Quarentena: O Peso das Palavras
A escolha semântica não é por acaso. Segundo especialistas em direito internacional, um bloqueio é tradicionalmente considerado um ato de guerra. Ao adotar o termo “quarentena”, os EUA buscam legitimidade para interceptar navios sem, tecnicamente, declarar guerra à Venezuela.
A estratégia espelha a decisão tomada pelo governo de John F. Kennedy durante a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962. Na época, o Secretário de Defesa Robert McNamara argumentou: “Chamamos de ‘quarentena’ porque ‘bloqueio’ é uma palavra de guerra.”
Tensão nos Mares
No início deste mês, Trump já havia ordenado ações contra navios petroleiros sancionados. O saldo atual da operação inclui:
- Duas embarcações já apreendidas pelas forças americanas;
- A Guarda Costeira aguarda reforços para interceptar um terceiro petroleiro suspeito.
Enquanto a Casa Branca aperta o cerco, especialistas da ONU condenaram as medidas, alertando para o impacto humanitário e as violações do direito internacional que restrições navais desse porte podem acarretar.
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