Pular para o conteúdo principal
Aracaju, Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Pular para o conteúdo
Saúde

Estudo nacional reúne maior amostra sobre sequelas do zika em crianças

Pesquisadores de 12 centros brasileiros publicaram, em 29 de dezembro de 2025, o maior levantamento mundial sobre os efeitos do vírus zika na infância. O trabalho, conduzido pelo Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika (ZBC-Consórcio), analisou dados de 843 crianças com microcefalia nascidas entre janeiro de 2015 e julho de 2018 nas regiões Norte, Nordeste […]

06/01/2026 · 20h31
Estudo nacional reúne maior amostra sobre sequelas do zika em crianças

Pesquisadores de 12 centros brasileiros publicaram, em 29 de dezembro de 2025, o maior levantamento mundial sobre os efeitos do vírus zika na infância. O trabalho, conduzido pelo Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika (ZBC-Consórcio), analisou dados de 843 crianças com microcefalia nascidas entre janeiro de 2015 e julho de 2018 nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste.

Definição do quadro clínico

Segundo a pesquisadora Maria Elizabeth Lopes Moreira, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), o estudo detalha a morfologia da microcefalia atribuída ao zika, diferenciando-a de outras causas. A investigação confirmou colapso cerebral associado a destruição celular, além de distúrbios neurológicos, auditivos, visuais e convulsões de difícil controle.

Publicidade

Principais achados

A professora Cristina Hofer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destacou as sequelas mais comuns:

  • Microcefalia ao nascer em 71,3% dos casos, sendo 63,9% grave;
  • Microcefalia pós-natal em 20,4% das crianças;
  • Prematuridade variando entre 10% e 20%;
  • Baixo peso ao nascer em média de 33,2% (10% a 43,8%);
  • Malformações congênitas, com epicanto (40,1%), occipital proeminente (39,2%) e excesso de pele no pescoço (26,7%) entre as mais frequentes.

No campo neurológico, déficit de atenção social foi observado em cerca de 50% das crianças; epilepsia entre 30% e 80% (média de 58,3%); e persistência de reflexos primitivos em 63,1%. Alterações oftalmológicas apareceram em até 67,1% dos casos e problemas auditivos em menor proporção. Exames de imagem indicaram calcificações cerebrais em 81,7%, ventriculomegalia em 76,8% e atrofia cortical em aproximadamente 50%.

Você pode se interessarConteúdo patrocinado · MGID

Impacto e continuidade do acompanhamento

Aproximadamente 30% das crianças analisadas já faleceram; as sobreviventes, hoje entre 8 e 10 anos, enfrentam dificuldades de inclusão escolar, muitas devido a paralisia cerebral ou déficit de atenção. Os autores pretendem continuar acompanhando o grupo para avaliar o desempenho escolar e identificar necessidades de intervenção precoce.

Prevenção e recomendações

Como não há tratamento específico para o zika, Maria Elizabeth reforça medidas preventivas para gestantes: evitar áreas com alta presença do Aedes aegypti, usar repelentes, roupas de mangas compridas e ficar, se possível, em ambientes climatizados. Após o nascimento, recomenda-se iniciar estimulação precoce com fisioterapia e fonoaudiologia, inclusive para crianças sem microcefalia cujas mães foram expostas ao vírus.

Os pesquisadores apontam ainda a necessidade de vacina para mulheres em idade fértil e alertam para dificuldades de acesso a cuidados multidisciplinares no Sistema Único de Saúde, o que gera grande carga social para as famílias.

Publicidade

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Recomendado para vocêConteúdo patrocinado · MGID
Publicidade
Mais conteúdos para vocêConteúdo patrocinado · MGID
Sugeridas pra vocêConteúdo patrocinado · MGID
Publicidade
3 min de leitura

Pesquisadores de 12 centros brasileiros publicaram, em 29 de dezembro de 2025, o maior levantamento mundial sobre os efeitos do vírus zika na infância. O trabalho, conduzido pelo Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika (ZBC-Consórcio), analisou dados de 843 crianças com microcefalia nascidas entre janeiro de 2015 e julho de 2018 nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste.

Definição do quadro clínico

Segundo a pesquisadora Maria Elizabeth Lopes Moreira, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), o estudo detalha a morfologia da microcefalia atribuída ao zika, diferenciando-a de outras causas. A investigação confirmou colapso cerebral associado a destruição celular, além de distúrbios neurológicos, auditivos, visuais e convulsões de difícil controle.

Principais achados

A professora Cristina Hofer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destacou as sequelas mais comuns:

  • Microcefalia ao nascer em 71,3% dos casos, sendo 63,9% grave;
  • Microcefalia pós-natal em 20,4% das crianças;
  • Prematuridade variando entre 10% e 20%;
  • Baixo peso ao nascer em média de 33,2% (10% a 43,8%);
  • Malformações congênitas, com epicanto (40,1%), occipital proeminente (39,2%) e excesso de pele no pescoço (26,7%) entre as mais frequentes.

No campo neurológico, déficit de atenção social foi observado em cerca de 50% das crianças; epilepsia entre 30% e 80% (média de 58,3%); e persistência de reflexos primitivos em 63,1%. Alterações oftalmológicas apareceram em até 67,1% dos casos e problemas auditivos em menor proporção. Exames de imagem indicaram calcificações cerebrais em 81,7%, ventriculomegalia em 76,8% e atrofia cortical em aproximadamente 50%.

Impacto e continuidade do acompanhamento

Aproximadamente 30% das crianças analisadas já faleceram; as sobreviventes, hoje entre 8 e 10 anos, enfrentam dificuldades de inclusão escolar, muitas devido a paralisia cerebral ou déficit de atenção. Os autores pretendem continuar acompanhando o grupo para avaliar o desempenho escolar e identificar necessidades de intervenção precoce.

Prevenção e recomendações

Como não há tratamento específico para o zika, Maria Elizabeth reforça medidas preventivas para gestantes: evitar áreas com alta presença do Aedes aegypti, usar repelentes, roupas de mangas compridas e ficar, se possível, em ambientes climatizados. Após o nascimento, recomenda-se iniciar estimulação precoce com fisioterapia e fonoaudiologia, inclusive para crianças sem microcefalia cujas mães foram expostas ao vírus.

Os pesquisadores apontam ainda a necessidade de vacina para mulheres em idade fértil e alertam para dificuldades de acesso a cuidados multidisciplinares no Sistema Único de Saúde, o que gera grande carga social para as famílias.

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Receba as notícias no seu WhatsApp

Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe

Entrar no canal →

Publicidade

EM ALTA AGORA