O Governo Central — formado por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central — registrou déficit primário de R$ 61,69 bilhões em 2025, montante equivalente a 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Tesouro Nacional.
Em dezembro, houve superávit primário de R$ 22,1 bilhões, resultado que não evitou o saldo anual negativo.
Composição do resultado
No acumulado do ano, Tesouro Nacional e Banco Central apresentaram superávit de R$ 255,5 bilhões, enquanto a Previdência Social (RGPS) somou déficit de R$ 317,2 bilhões. Em termos reais, a receita líquida cresceu 2,8% (R$ 64,3 bilhões) e a despesa avançou 3,4% (R$ 79,1 bilhões).
O déficit real aumentou 32,3% frente a 2024, quando o saldo negativo havia sido de R$ 42,92 bilhões (0,36% do PIB), pressionado pelos gastos com as enchentes no Rio Grande do Sul e pela alta de despesas obrigatórias da Previdência e do BPC.
Apesar da deterioração, o resultado ficou acima das projeções de mercado. A pesquisa Prisma Fiscal, do Ministério da Fazenda, apontava estimativa de déficit de R$ 68,21 bilhões para 2025.
Meta fiscal e arcabouço
A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025 estabelece meta de déficit primário zero, com banda de 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos. Na margem inferior, o limite é déficit de até R$ 31 bilhões.
Considerando apenas as despesas sujeitas ao novo arcabouço fiscal, o déficit teria sido de R$ 13 bilhões (0,1% do PIB). Ficam fora da meta R$ 48,68 bilhões em compensações autorizadas, como pagamento de precatórios excedentes, ressarcimentos em benefícios previdenciários, despesas temporárias em educação e saúde e projetos estratégicos de defesa.
O resultado também foi influenciado pelo empoçamento de R$ 8 bilhões — valores empenhados que não puderam ser executados — e pela arrecadação recorde observada no ano.
Receitas
Os principais incrementos de receita em 2025 foram:
- R$ 43,56 bilhões (5,2%) no Imposto de Renda, puxados por rendimentos do trabalho, do capital, de residentes no exterior e aumento no IRPF;
- R$ 15,4 bilhões (21,3%) no IOF, com destaque para operações de câmbio, crédito a pessoas jurídicas e títulos;
- R$ 13,7 bilhões (38,3%) em outras receitas administradas pela Receita Federal, impulsionadas por loterias;
- R$ 37 bilhões (5,4%) na receita previdenciária, refletindo mercado de trabalho aquecido, recolhimentos do Simples Nacional e reoneração da folha;
- R$ 14,8 bilhões (11,7%) com exploração de recursos naturais, principalmente provenientes do pré-sal e acordo sobre a Jazida Compartilhada de Jubarte.
Em contrapartida, as receitas com dividendos e participações recuaram R$ 26,3 bilhões (34,3%) por menores repasses de Petrobras e BNDES.
Despesas
Entre os gastos, destacaram-se:
- R$ 41,4 bilhões (4,1%) adicionais em benefícios previdenciários;
- R$ 10,8 bilhões (9,1%) a mais no BPC;
- R$ 16,9 bilhões (4,3%) em pessoal e encargos sociais, devido a reajustes de servidores;
- R$ 10 bilhões (19,7%) na complementação da União ao Fundeb;
- R$ 11,9 bilhões (6,1%) em despesas discricionárias.
Houve queda de R$ 20,7 bilhões (76,3%) nos gastos extraordinários, já que não se repetiram em 2025 as ações emergenciais relacionadas às enchentes no Rio Grande do Sul registradas em 2024.
Com esses resultados, o déficit primário acumulado do Governo Central em 2025 totalizou R$ 61,69 bilhões.
Com informações de Agência Brasil
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