O dólar comercial avançou nesta terça-feira (3) diante da escalada do conflito no Oriente Médio, enquanto a bolsa brasileira teve o maior recuo do ano. A moeda norte-americana fechou em R$ 5,261, com alta de R$ 0,099 (+1,87%), após alcançar R$ 5,34 por volta das 12h20 (Brasília UTC-3).
O movimento de aversão ao risco impulsionou a busca por ativos considerados mais seguros, favorecendo o dólar. Ao mesmo tempo, o índice Ibovespa, da B3, encerrou o pregão com queda de 3,27%, aos 183.104 pontos; durante o dia, tocou mínima de 180.518 pontos, recuo de 4,64%.
Quase todos os papéis que compõem o índice registraram perdas. A bolsa brasileira, que bateu recorde recentemente ao fechar acima dos 191 mil pontos em 24 de fevereiro, voltou ao menor nível desde 6 de fevereiro, quando estava em 182 mil pontos.
Intervenção do Banco Central
Em meio à volatilidade, o Banco Central chegou a divulgar dois leilões de linha, cada um de US$ 2 bilhões, para venda de dólares com recompra futura, mas cancelou as operações minutos depois. O BC informou que a divulgação ocorreu por engano, como parte de um teste interno.
Pressão externa e energia
O agravamento do confronto envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, com desdobramentos no Líbano e em países do Golfo, foi apontado como principal gatilho para a fuga de capitais. O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, e o Catar interrompeu a produção de gás natural liquefeito, elevando temores sobre oferta global de energia.
O barril Brent subiu mais de 4%, chegando a US$ 81, após alta inicial de cerca de 10% no início do pregão. Na Europa, o preço do gás natural avançou 22% ao longo do dia. Esses movimentos reforçam preocupações com inflação global e potencial desaceleração econômica.

Mercados globais
O pessimismo foi generalizado em bolsas internacionais: Tóquio caiu 3,1%, Seul recuou 7,24%, e as principais praças europeias tiveram perdas superiores a 3%. Nos Estados Unidos, Dow Jones caiu 0,83%, S&P 500 recuou 0,9% e Nasdaq Composite fechou com queda de 1,02%. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas de economias avançadas, subiu 0,66%.
Cenário doméstico
No âmbito doméstico, o IBGE divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, com alta de 0,1% no quarto trimestre, mostrando perda de ritmo em relação ao crescimento de 3,4% em 2024. Diante do quadro internacional, o Banco Central pode reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na reunião deste mês, abaixo da expectativa anterior de corte de 0,5 ponto.
Juros ainda elevados ajudam a conter a alta do dólar, mas podem limitar o desempenho da economia.
Com informações de Agência Brasil
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