
Um fato curioso da cidade de Itabaiana, que completará 350 anos de fundada, junto com sua paróquia-mãe, em 30 de outubro próximo, é a sua origem, e depois permanência com um pé na estrada.
Na década de 1620, curraleiros, ou seja, vaqueiros arrendatários de terras para criar gado, construíram uma das primeiras capelas em “pedra e cal”, isso é, em alvenaria, de Sergipe. Mas distante da Estrada Colonial do Sertão, Salvador-Olinda. Também por esse motivo não pegou e hoje são as ruínas da Igreja Velha. Dali, 400 anos nos contempla.
Mas em 30 de outubro de 1675, há 350 anos, atendendo ao rei de Portugal, o Padre Sebastião Pedroso de Gois, rapidamente, comprou o sítio que pertencia aos herdeiros de Ayres da Rocha Peixoto; levantou uma igreja de taipa, e nela instalou a paróquia de Santo Antônio e Almas, da Itabaiana, já que a região, assim era conhecida pelos indígenas.



E onde?
Onde, desde 1590 funcionava a Estrada Salvador-Olinda, ou estrada das boiadas; no cruzamento com a então recentemente aberta, a Estrada das Entradas aos Sertões do Jeremoabo, pelo entradista Fernão Carrilho, em 1665.
A povoação não se desenvolveu. Mesmo depois de emancipada; também em outubro, só que vinte e dois anos depois, em 1697.
As estradas logo perderam importância; e, a de Salvador-Olinda, que foi inicialmente a mais importante, em 1800, segundo D. Marcos Antônio de Souza, funcionava precariamente por dentro de terrenos particulares. E a dos entradistas aos sertões, nunca chegou a um centésimo da importância que tem a sua versão mais recente, a BR-235, tecnicamente, a grande rota de Itabaiana.
Mas a cidade de Itabaiana sempre cresceu em busca de suas estradas.


A cidade fundada no cruzamento das suas duas principais estradas coloniais, assim se manteve até a década de 1950, quando veio a BR-235, em 1952. Rapidamente, ela correu pra lá, com a Avenida Otoniel Dórea; as ruas Antônio Dultra e Boanerges Pinheiro, Campo do Brito, Santa Cruz, José Ferreira Araújo, Monsenhor Eraldo Barbosa e 13 de Junho.

Na primeira década deste século, contudo, o padrão mudou, e a cidade se expandiu para o norte e para sudeste, onde aparentemente não passa nenhuma estrada principal.
Não? Não tem estrada principal?

A expansão a sudeste – complexo Chiara – busca a rota original da Estrada Colonial do Sertão, Salvador-Olinda, hoje identificável na estrada do Boimé, a caminho do povoado Serra.
E a expansão norte – complexo Santa Mônica – segue a trilha da velha Estrada dos Entradistas, popular e recentemente conhecida por estrada das Flechas. E até um condomínio, recentemente surgido ao fim do Bairro Bananeira, no antigamente conhecido como Bom Jardim, à margem direita do Açude da Macela (plantinha), está margeando o trajeto da mesma Salvador – Olinda, desde que a cidade foi fundada, há 350 anos.
Sempre com o pé na estrada.

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