Tomou posse nesta sexta-feira em Cali, iniciando um mandato de quatro anos marcado por polarização institucional. De La Espriella venceu por cerca de 250 mil votos e enfrenta oposição liderada por Iván Cepeda.
Abelardo De La Espriella toma posse nesta sexta-feira (7) como o novo presidente da Colômbia, em uma cerimônia que ocorrerá na cidade de Cali. O evento marcará o início de um mandato de quatro anos, que promete ser marcado por polarizações e tensões institucionais.
A eleição presidencial foi acirrada, decidida por uma diferença de pouco mais de 250.000 votos. O país enfrenta, assim, um choque entre duas visões ideológicas opostas: a proposta de uma nova direita, que De La Espriella apresentou aos seus eleitores com o slogan “Pátria Milagre”, e a estratégia de oposição liderada por Iván Cepeda, do partido de esquerda Pacto Histórico, que foi derrotado no segundo turno.
“Depois de terem recorrido a todas as formas de luta, (os opositores) optaram, sem qualquer razão, por não reconhecer o triunfo da democracia nas urnas e declarar uma tal desobediência civil”, publicou De La Espriella nas redes sociais no domingo (2). “Não podemos normalizar, caros compatriotas, que aqueles que participaram da democracia — ainda que combinando todas as formas de luta — e perderam, estejam preparando a desestabilização do país”, acrescentou.
O ex-candidato e atual senador Iván Cepeda, em resposta às notícias da nova administração, convocou marchas e manifestações em várias cidades para o dia da posse, como forma de resistência pacífica. “Não aceitamos que nos impeçam de exercer democraticamente o direito à oposição política. Nossa presença em diversas manifestações em Cali, Barranquilla e Bogotá é uma demonstração pacífica de desobediência civil e soberania popular”, afirmou Cepeda em suas redes sociais.
Cepeda também ressaltou que a cidadania norte-americana de De La Espriella constitui um impedimento que deve ser resolvido para que ele seja reconhecido como um chefe de Estado legítimo. O senador fez apelos para que seus seguidores e organizações sociais se mobilizem em defesa dos avanços sociais e trabalhistas obtidos durante o governo de Gustavo Petro.
O novo presidente enfrentará o desafio de consolidar seu mandato em um cenário de descontentamento da esquerda e de conduzir a oposição dentro da estrutura constitucional. Analistas políticos apontam que será crucial para De La Espriella conquistar maiorias no Congresso para aprovar projetos importantes nas áreas econômica, social e de segurança.
Além disso, a margem de manobra do novo governo estará sob vigilância constante para evitar violações aos mecanismos democráticos. De La Espriella já começou a implementar promessas de campanha, realizando sua posse em Cali e estabelecendo sedes alternativas da presidência em Medellín e Barranquilla. Ele também anunciou a intenção de fechar 14 embaixadas e romper relações diplomáticas com Cuba e Nicarágua.
Com essas ações, o novo presidente sinaliza uma mudança significativa em relação à política externa de seu antecessor, Gustavo Petro, que buscou construir alianças com o Sul Global. O impacto dessas decisões e a capacidade do novo governo de superar os desafios que surgirem ainda são incertos.
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