Mojtaba Khamenei emitiu decreto que oficializa líderes interinos da Guarda Revolucionária como titulares. Especialistas afirmam que a medida reforça unidade de comando e marca a 'República Islâmica 3.0'.
Um decreto assinado por Mojtaba Khamenei, que oficializou a nomeação de interinos da Guarda Revolucionária como titulares, representa uma mudança significativa na estrutura de poder do Irã. Para um especialista em Ciências Militares, o ato simboliza o que é chamado de “nascimento da República Islâmica 3.0”.
O decreto, assinado na segunda-feira (10) e oficializado posteriormente, consolidou uma nova configuração de comando dentro do país. Segundo o especialista, as mudanças indicam uma unidade de comando clara e um novo sentido estratégico para o regime iraniano.
Entre as principais alterações, Mohammad Bagher Zolghadr foi destituído do cargo de secretário do Conselho de Segurança Nacional e substituído por Mohsen Rezaei. Além disso, figuras descritas como “velhíssimos falcões da política islâmica”, que tinham sido afastadas pelo antigo aiatolá Ali Khamenei, retornam ao centro do poder com Mojtaba.
O analista destacou que o novo chefe de Estado-Maior, oriundo da Guarda Revolucionária, possui um mandato claro para unificar a cadeia de comando. Embora não se configure como um regime militar no sentido clássico, onde as forças armadas exercem o poder, representa um governo “altamente militarizado”, onde uma força armada governa em nome de um líder supremo invisível, conforme descrito pelo especialista.
O especialista também ressaltou que Mojtaba não deve adotar uma postura passiva de dissuasão em relação aos Estados Unidos. Ao contrário, ele acredita em uma dissuasão mais ofensiva e em uma capacidade nesse sentido, refletindo diretamente nas nomeações realizadas.
Além disso, observou que o único clérigo a ganhar força nesse novo arranjo é Hossein Taeb, uma figura veterana da Guarda Revolucionária, agora no comando da milícia Basij, apoiada pela Guarda. Para o especialista, o Irã atual se aproxima mais da definição de uma ditadura militar do que de um governo teocrático, embora a imagem do “imã escondido” ainda seja um símbolo central do regime.
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