Projetos visam fábricas totalmente conectadas, integrando recebimento da matéria-prima à expedição. Sindirações e ABPA estimam cerca de 97 milhões de toneladas de produção no país.
A AGI, uma empresa global de soluções para armazenagem, movimentação e processamento de grãos, anunciou a ampliação de investimentos e projetos voltados à modernização da indústria de nutrição animal no Brasil. A companhia destacou que tem observado um crescimento na demanda por fábricas totalmente conectadas, que integrem desde o recebimento da matéria-prima até a expedição do produto final.
Segundo estimativas do Sindirações (Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal) e da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), espera-se que o Brasil produza cerca de 97 milhões de toneladas de ração em 2026, com o crescimento sendo impulsionado principalmente pelas cadeias de aves, suínos, bovinos, peixes e animais de companhia.
Robson Engers, diretor sênior de Operações Brasil e América Latina da AGI, ressaltou que o setor está passando por um amadurecimento estrutural.
“Vivemos um momento de amadurecimento estrutural do setor. A indústria de nutrição animal deixou de competir apenas por escala e passou a competir por inteligência operacional. Eficiência, previsibilidade e uso racional dos recursos tornaram-se pilares estratégicos”,
afirmou.
Engers também comentou que a empresa está concentrando esforços no desenvolvimento de soluções que conectam diferentes etapas da produção, possibilitando aos clientes uma visão mais ampla da operação.
“A demanda tem se concentrado em projetos que promovem conectividade entre as etapas produtivas, ampliando a capacidade de gestão, o controle de qualidade e a consistência dos processos”,
acrescentou.
Dados da Embrapa Suínos e Aves mostram que a ração representa entre 70% e 80% do custo total de produção em diferentes cadeias. Nesse contexto, a redução de desperdícios, a precisão na formulação e o controle sobre o uso das matérias-primas se tornaram fatores estratégicos para manter as margens de lucro.
Franklin Oliveira, gerente nacional de Indústrias e Portos da AGI Brasil, destacou que a automação evoluiu de uma mera inovação tecnológica para uma ferramenta financeira.
“O mercado busca soluções que reduzam a variabilidade dos processos, ampliem a previsibilidade dos resultados e sustentem a rentabilidade das operações ao longo do tempo”,
enfatizou.
Oliveira explicou que as novas plantas industriais estão sendo projetadas como sistemas integrados, onde equipamentos, sensores e plataformas digitais operam de forma coordenada.
“Não se trata apenas de construir uma estrutura física, mas de projetar um fluxo inteligente que elimine gargalos logísticos e falhas operacionais. O mercado exige escala industrial com precisão laboratorial”,
afirmou.
A AGI acredita que essa integração permitirá ganhos em vários aspectos da operação, como melhor aproveitamento dos insumos, redução de perdas, aumento da capacidade produtiva e maior estabilidade dos processos.
Além disso, o movimento responde a uma demanda crescente por rastreabilidade. Com mercados internacionais tornando-se cada vez mais exigentes, as empresas precisam comprovar a origem, qualidade e segurança dos produtos utilizados na cadeia de proteína animal. Engers destacou que
“A rastreabilidade tornou-se um elemento central da confiança comercial. Os clientes buscam tecnologias que garantam controle, transparência e capacidade de resposta rápida diante de auditorias e exigências regulatórias”,
concluiu.
A migração para modelos mais digitais e integrados deverá continuar sendo uma das principais pautas do setor nos próximos anos. A expectativa é que os investimentos em automação, engenharia e inteligência de dados avancem junto com a necessidade das empresas brasileiras de se manterem competitivas em um mercado global cada vez mais exigente.
Engers finalizou ressaltando que
“A principal oportunidade é consolidar a tecnologia como pilar da competitividade da indústria. O desafio é acompanhar essa transformação com soluções que combinem inovação, escala e proximidade com o cliente”.
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