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Agro

Agronegócio brasileiro busca investimentos e produção em Angola

Angola surge como nova fronteira para o agronegócio brasileiro, com 30 empresários explorando investimentos.

12/08/2026 · 00h00 · Atualizado às 12h56
Agronegócio brasileiro busca investimentos e produção em Angola

Alta das tarifas dos EUA impulsiona busca por novos mercados; 30 empresários brasileiros vão a Luanda para prospectar investimentos. A missão quer converter a aproximação em negócios e produção local.

O aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acelerou a busca por novos mercados, uma empreitada que já estava no radar dos empresários e do governo. Em Luanda, 30 empresários brasileiros participam de uma agenda de negócios com o objetivo de explorar oportunidades de investimento em Angola.

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A estratégia visa transformar a relação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e João Lourenço em negócios, investimentos e produção local, com o agronegócio como foco central. A iniciativa ocorre no contexto de uma nova abordagem nas relações comerciais entre o Brasil e a África.

“Com o tarifaço, temos que buscar mercados. A África é uma oportunidade fantástica”, afirma o economista Roberto Gianetti da Fonseca, que acompanha as relações comerciais brasileiras com o continente há décadas.

Gianetti, que já visitou a África mais de 70 vezes, enfatiza a necessidade de mudar a percepção do Brasil sobre o continente. Para ele, a abordagem deve ir além da simples venda de produtos. “Temos que olhar para a África com um olhar de parceria, inovação e produção local. É bom para investir aqui e é bom para o brasileiro investir aqui”, complementa.

A agenda empresarial é promovida pelo Lide e ocorre após diversas iniciativas dos governos brasileiro e angolano visando ampliar a cooperação econômica. No agronegócio, essa aproximação ganhou corpo com a criação do Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil-Angola, formalizado em 2025, que busca estruturar propostas de cooperação e investimentos agrícolas.

Em maio deste ano, uma missão liderada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, levou empresários brasileiros a Angola para conhecer o ambiente de negócios e prospectar áreas para investimentos em projetos agropecuários e agroindustriais. Na ocasião, foi apresentada uma proposta de acordo bilateral de US$ 120 milhões para investimentos agrícolas, que inclui 20 mil hectares em províncias angolanas para cultivo por produtores brasileiros, visando a transferência de tecnologia do Cerrado.

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Os empresários enxergam oportunidades no desafio angolano, que possui uma população de 37 milhões de habitantes, com projeção de crescimento para cerca de 70 milhões até 2050. A produção local atende apenas 37% das necessidades do mercado interno, fazendo com que Angola dependa de importações que chegam a quase US$ 3 bilhões por ano.

“Como deixar de olhar para Nigéria, Angola e outros países africanos como parceiros?”, questiona Gianetti, que vê a situação como uma oportunidade para aumentar a produção local e agregar valor.

A proposta do governo brasileiro visa inicialmente incluir cerca de 30 agricultores, principalmente de Mato Grosso e Bahia, em áreas localizadas nas províncias de Cuanza Norte, Uíge e Malanje. O financiamento deve contar com a participação do BNDES e do Fundo Soberano de Angola, além do Banco do Brasil, que operará recursos do Programa de Financiamento às Exportações (Proex).

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Além da produção agrícola, a estratégia também abrange a indústria brasileira, prevendo financiamento para a compra e exportação de máquinas agrícolas e insumos, além de investimentos em infraestrutura. A ideia é levar não apenas o produtor, mas também toda a cadeia produtiva, incluindo tecnologia e conhecimento.

Para a ex-ministra da Agricultura, Kátia Abreu, essa movimentação representa uma nova visão sobre a expansão do agronegócio brasileiro. “Nosso Centro-Oeste não é mais a única fronteira agrícola. A África é uma fronteira para nós”, declarou, ressaltando a experiência brasileira em agricultura tropical como uma vantagem competitiva.

Kátia e Gianetti concordam que o Brasil possui um conhecimento único em agricultura tropical, fruto de décadas de pesquisa e desenvolvimento. Essa expertise pode permitir parcerias com países africanos sem necessariamente competir com a China. “Em agricultura tropical, o Brasil é imbatível. Temos 50 anos de experiência”, conclui Kátia.

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Alta das tarifas dos EUA impulsiona busca por novos mercados; 30 empresários brasileiros vão a Luanda para prospectar investimentos. A missão quer converter a aproximação em negócios e produção local.

O aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acelerou a busca por novos mercados, uma empreitada que já estava no radar dos empresários e do governo. Em Luanda, 30 empresários brasileiros participam de uma agenda de negócios com o objetivo de explorar oportunidades de investimento em Angola.

A estratégia visa transformar a relação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e João Lourenço em negócios, investimentos e produção local, com o agronegócio como foco central. A iniciativa ocorre no contexto de uma nova abordagem nas relações comerciais entre o Brasil e a África.

“Com o tarifaço, temos que buscar mercados. A África é uma oportunidade fantástica”, afirma o economista Roberto Gianetti da Fonseca, que acompanha as relações comerciais brasileiras com o continente há décadas.

Gianetti, que já visitou a África mais de 70 vezes, enfatiza a necessidade de mudar a percepção do Brasil sobre o continente. Para ele, a abordagem deve ir além da simples venda de produtos. “Temos que olhar para a África com um olhar de parceria, inovação e produção local. É bom para investir aqui e é bom para o brasileiro investir aqui”, complementa.

A agenda empresarial é promovida pelo Lide e ocorre após diversas iniciativas dos governos brasileiro e angolano visando ampliar a cooperação econômica. No agronegócio, essa aproximação ganhou corpo com a criação do Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil-Angola, formalizado em 2025, que busca estruturar propostas de cooperação e investimentos agrícolas.

Em maio deste ano, uma missão liderada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, levou empresários brasileiros a Angola para conhecer o ambiente de negócios e prospectar áreas para investimentos em projetos agropecuários e agroindustriais. Na ocasião, foi apresentada uma proposta de acordo bilateral de US$ 120 milhões para investimentos agrícolas, que inclui 20 mil hectares em províncias angolanas para cultivo por produtores brasileiros, visando a transferência de tecnologia do Cerrado.

Os empresários enxergam oportunidades no desafio angolano, que possui uma população de 37 milhões de habitantes, com projeção de crescimento para cerca de 70 milhões até 2050. A produção local atende apenas 37% das necessidades do mercado interno, fazendo com que Angola dependa de importações que chegam a quase US$ 3 bilhões por ano.

“Como deixar de olhar para Nigéria, Angola e outros países africanos como parceiros?”, questiona Gianetti, que vê a situação como uma oportunidade para aumentar a produção local e agregar valor.

A proposta do governo brasileiro visa inicialmente incluir cerca de 30 agricultores, principalmente de Mato Grosso e Bahia, em áreas localizadas nas províncias de Cuanza Norte, Uíge e Malanje. O financiamento deve contar com a participação do BNDES e do Fundo Soberano de Angola, além do Banco do Brasil, que operará recursos do Programa de Financiamento às Exportações (Proex).

Além da produção agrícola, a estratégia também abrange a indústria brasileira, prevendo financiamento para a compra e exportação de máquinas agrícolas e insumos, além de investimentos em infraestrutura. A ideia é levar não apenas o produtor, mas também toda a cadeia produtiva, incluindo tecnologia e conhecimento.

Para a ex-ministra da Agricultura, Kátia Abreu, essa movimentação representa uma nova visão sobre a expansão do agronegócio brasileiro. “Nosso Centro-Oeste não é mais a única fronteira agrícola. A África é uma fronteira para nós”, declarou, ressaltando a experiência brasileira em agricultura tropical como uma vantagem competitiva.

Kátia e Gianetti concordam que o Brasil possui um conhecimento único em agricultura tropical, fruto de décadas de pesquisa e desenvolvimento. Essa expertise pode permitir parcerias com países africanos sem necessariamente competir com a China. “Em agricultura tropical, o Brasil é imbatível. Temos 50 anos de experiência”, conclui Kátia.

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