Pular para o conteúdo principal
Aracaju, Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Pular para o conteúdo

Apagões programados devem aumentar nos próximos anos, alerta ONS

Brasil

Apagões programados devem aumentar nos próximos anos, alerta ONS

Diretor do ONS prevê cortes frequentes na geração de energia nos próximos anos.

17/06/2026 · 00h00 · Atualizado às 18h05
Apagões programados devem aumentar nos próximos anos, alerta ONS

Publicidade

Cortes de energia vão se tornar mais frequentes no Brasil. A previsão é do próprio Operador Nacional do Sistema Elétrico, que já sinaliza uso crescente da medida.

Publicidade

Publicidade

O diretor de Planejamento do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Alexandre Zucarato, afirmou que os cortes de geração de energia devem se tornar mais frequentes nos próximos anos. A declaração foi feita durante o Enase (Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico) nesta quarta-feira, 17 de maio de 2026.

“A expectativa é que a cada ano a gente tenha que fazer um uso mais frequente desse recurso”, disse Zucarato. Segundo ele, o uso da medida ainda será “pontual”, sempre que o operador identificar risco para o sistema devido ao excesso de geração.

A avaliação do ONS indica que a carga mínima do sistema elétrico tem diminuído anualmente, enquanto a geração renovável, especialmente a solar distribuída, avança. Essa mudança contribui para o fenômeno conhecido como “barriga do pato”, que descreve a queda da carga líquida durante o dia, quando a geração solar é alta, seguida por um aumento na demanda no início da noite.

Para solucionar essa questão, Zucarato sugere “aumentar as pernas do pato” ou “colocar esse pato no regime”, o que, na prática, significa aumentar a carga em horários de sobra de energia ou reduzir o excesso de geração nesses períodos. Ele destacou que o desafio não tem solução imediata, pois está ligado à estrutura da matriz elétrica.

Com a expansão das fontes renováveis, como solar e eólica, a geração tem se tornado mais dependente de fatores climáticos, como sol, nuvens e vento. Em dias de baixa demanda e alta produção dessas fontes, o sistema pode enfrentar excesso de energia. Nesses casos, o ONS precisa determinar cortes de geração para manter o equilíbrio da rede.

Você pode se interessarConteúdo patrocinado · MGID

Além disso, Zucarato defendeu a modernização do sistema tarifário para que os consumidores recebam sinais econômicos mais adequados sobre os momentos de sobra e escassez de energia. Ele citou o exemplo da Austrália, que implementou uma tarifa gratuita para períodos de excedente de energia.

Os cortes mencionados pelo diretor são conhecidos no setor como curtailment. Essa prática consiste na redução da geração de usinas quando a oferta de energia supera a demanda ou quando há restrições na rede de transmissão e distribuição. O tema ganhou destaque após o ONS acionar pela primeira vez, em 7 de junho de 2026, o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição.

Nessa ocasião, o operador solicitou o gerenciamento de 1.000 MW entre 10h e 14h para manter o equilíbrio do SIN (Sistema Interligado Nacional). O plano foi criado para situações de baixa demanda, como feriados e fins de semana, combinadas com alta geração solar. Quando há sobra de energia, o sistema precisa reduzir a produção para manter o equilíbrio entre oferta e consumo, evitando riscos de elevação da frequência elétrica e acionamento de proteções automáticas.

Publicidade

Zucarato afirmou que o plano foi concebido após o ONS identificar, em estudos de planejamento, que a capacidade dos recursos centralizados poderia não ser suficiente para acomodar a carga mínima do sistema. Mesmo com cortes de geração eólica, solar centralizada e a redução da geração hidráulica ao mínimo, ainda pode haver geração acima da carga.

Nesses casos, o operador aciona novas linhas de defesa. A primeira é o plano de redução comandada, em que o ONS sinaliza às distribuidoras sobre a necessidade de cortar geração sob sua área de concessão. O foco inicial recai sobre as usinas maiores conectadas às redes de distribuição, conhecidas como usinas tipo 3.

O diretor enfatizou que o plano estará disponível para uso “quantas vezes forem necessárias” para garantir a segurança da operação.

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Recomendado para vocêConteúdo patrocinado · MGID
Publicidade
Mais conteúdos para vocêConteúdo patrocinado · MGID
Sugeridas pra vocêConteúdo patrocinado · MGID
Publicidade
4 min de leitura

Publicidade

Cortes de energia vão se tornar mais frequentes no Brasil. A previsão é do próprio Operador Nacional do Sistema Elétrico, que já sinaliza uso crescente da medida.

O diretor de Planejamento do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Alexandre Zucarato, afirmou que os cortes de geração de energia devem se tornar mais frequentes nos próximos anos. A declaração foi feita durante o Enase (Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico) nesta quarta-feira, 17 de maio de 2026.

“A expectativa é que a cada ano a gente tenha que fazer um uso mais frequente desse recurso”, disse Zucarato. Segundo ele, o uso da medida ainda será “pontual”, sempre que o operador identificar risco para o sistema devido ao excesso de geração.

A avaliação do ONS indica que a carga mínima do sistema elétrico tem diminuído anualmente, enquanto a geração renovável, especialmente a solar distribuída, avança. Essa mudança contribui para o fenômeno conhecido como “barriga do pato”, que descreve a queda da carga líquida durante o dia, quando a geração solar é alta, seguida por um aumento na demanda no início da noite.

Para solucionar essa questão, Zucarato sugere “aumentar as pernas do pato” ou “colocar esse pato no regime”, o que, na prática, significa aumentar a carga em horários de sobra de energia ou reduzir o excesso de geração nesses períodos. Ele destacou que o desafio não tem solução imediata, pois está ligado à estrutura da matriz elétrica.

Com a expansão das fontes renováveis, como solar e eólica, a geração tem se tornado mais dependente de fatores climáticos, como sol, nuvens e vento. Em dias de baixa demanda e alta produção dessas fontes, o sistema pode enfrentar excesso de energia. Nesses casos, o ONS precisa determinar cortes de geração para manter o equilíbrio da rede.

Além disso, Zucarato defendeu a modernização do sistema tarifário para que os consumidores recebam sinais econômicos mais adequados sobre os momentos de sobra e escassez de energia. Ele citou o exemplo da Austrália, que implementou uma tarifa gratuita para períodos de excedente de energia.

Os cortes mencionados pelo diretor são conhecidos no setor como curtailment. Essa prática consiste na redução da geração de usinas quando a oferta de energia supera a demanda ou quando há restrições na rede de transmissão e distribuição. O tema ganhou destaque após o ONS acionar pela primeira vez, em 7 de junho de 2026, o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição.

Nessa ocasião, o operador solicitou o gerenciamento de 1.000 MW entre 10h e 14h para manter o equilíbrio do SIN (Sistema Interligado Nacional). O plano foi criado para situações de baixa demanda, como feriados e fins de semana, combinadas com alta geração solar. Quando há sobra de energia, o sistema precisa reduzir a produção para manter o equilíbrio entre oferta e consumo, evitando riscos de elevação da frequência elétrica e acionamento de proteções automáticas.

Zucarato afirmou que o plano foi concebido após o ONS identificar, em estudos de planejamento, que a capacidade dos recursos centralizados poderia não ser suficiente para acomodar a carga mínima do sistema. Mesmo com cortes de geração eólica, solar centralizada e a redução da geração hidráulica ao mínimo, ainda pode haver geração acima da carga.

Nesses casos, o operador aciona novas linhas de defesa. A primeira é o plano de redução comandada, em que o ONS sinaliza às distribuidoras sobre a necessidade de cortar geração sob sua área de concessão. O foco inicial recai sobre as usinas maiores conectadas às redes de distribuição, conhecidas como usinas tipo 3.

O diretor enfatizou que o plano estará disponível para uso “quantas vezes forem necessárias” para garantir a segurança da operação.

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Receba as notícias no seu WhatsApp

Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe

Entrar no canal →

Publicidade

EM ALTA AGORA