Centenas de peruanos marcharam na capital em defesa da transparência nas eleições presidenciais. Fujimori avança na apuração enquanto a tensão política cresce nas ruas.
Centenas de apoiadores do candidato presidencial peruano de esquerda, Roberto Sánchez, marcharam em Lima na sexta-feira (19) para protestar contra possíveis irregularidades nas eleições presidenciais. A manifestação ocorreu enquanto a candidata de direita, Keiko Fujimori, se aproximava de uma possível vitória na disputa.
Sánchez conduziu seus apoiadores pela capital peruana, muitos dos quais estavam vestidos com roupas típicas incas e portando bandeiras. Os manifestantes clamaram por transparência no processo eleitoral e afirmaram que o candidato da esquerda havia vencido a votação. Em discurso, Sánchez enfatizou que o ato tinha como objetivo exigir justiça eleitoral, devido processo legal e maior transparência nas apurações.
De acordo com o escritório eleitoral do Peru, ONPE, na sexta-feira, Fujimori detinha 50,114% dos votos válidos, enquanto Sánchez contava com 49,886%, com 99,626% dos votos já apurados. Essa contagem conferiu a Fujimori, que já havia concorrido à presidência em outras três ocasiões, uma vantagem de 41.685 votos. Analistas indicam que essa margem deve se manter durante a contagem oficial dos votos que ainda faltam do segundo turno realizado em 7 de junho.
O partido de Sánchez, Juntos por el Peru, protocolou ações legais no júri eleitoral com a intenção de anular votos provenientes de Lima e de outras localidades do exterior. Eles argumentam que houve padrões de votação que favoreceram Fujimori e mudanças nas regras que impactaram os votos do exterior. O júri eleitoral ainda precisa avaliar os votos contestados, que totalizaram cerca de 87 mil, conforme informações disponíveis na noite de sexta-feira.
Enquanto a contagem prosseguia, Fujimori fez um apelo para que Sánchez e seu partido respeitassem a vontade dos eleitores. “A votação e os números são contundentes”, declarou a candidata em entrevista a jornalistas. Keiko Fujimori, que tem a possibilidade de se tornar a primeira mulher eleita diretamente para o cargo de presidente do Peru, já havia enfrentado três derrotas no segundo turno, incluindo uma para o esquerdista Pedro Castillo em 2021, por uma margem de apenas 44.200 votos.
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