A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Aracaju iniciou na segunda-feira, 2, a colocação do implante subdérmico contraceptivo Implanon na rede pública. O procedimento começou nas regiões com maiores índices de vulnerabilidade social e de gravidez na adolescência.
Primeiras inserções
A etapa inaugural ocorreu na Unidade de Saúde da Família (USF) Roberto Paixão, no bairro 17 de Março, beneficiando também moradoras do bairro Santa Maria. Médicas e enfermeiras passaram por treinamento técnico para garantir aplicação correta e segura do dispositivo.
Orientação e público prioritário
De acordo com Cristiani Ludmila Mendes, referência técnica da linha de cuidado Saúde da Mulher da SMS, o implante integra as estratégias do Ministério da Saúde para fortalecer o planejamento reprodutivo. “O método é extremamente seguro e exige capacitação específica dos profissionais, por isso começamos pelas áreas mais vulneráveis e ampliaremos gradativamente”, destacou.
Adolescentes e mulheres em situação de rua, usuárias de drogas, em extrema pobreza, com transtornos mentais graves, soropositivas para HIV, com contraindicação a outros métodos ou com mais de quatro filhos que não desejam laqueadura têm prioridade para receber o Implanon.
Capacitação das equipes
A médica da USF Roberto Paixão, Jéssica Santana, ressaltou a importância da qualificação: “Estamos sendo capacitados para prescrever e inserir o implante adequadamente, especialmente para pacientes que não podem usar outros contraceptivos”. Já a ginecologista Thais Serafim, facilitadora do Hospital Universitário, frisou que o treinamento inclui indicações, contraindicações e cuidados pós-procedimento.
Relatos de usuárias
Entre as primeiras beneficiadas está Maria do Amparo dos Santos, 37 anos, mãe de três filhos, que levou a filha Ane Gabrieley Alves, 15, para colocar o dispositivo. “Sou mãe solo e não posso ter mais filhos. Quero que minha filha tenha oportunidades diferentes das minhas”, disse.
Ivancleide Andrade, 27 anos, mãe de um menino de três, aguardava a oferta pelo SUS: “Agora posso planejar melhor; só quero outro filho mais para frente”. Já Ynajara Cairan, 25 anos, relatou dificuldades com outros anticoncepcionais e celebrou a proteção de três anos proporcionada pelo Implanon.
Como funciona o método
O implante age por até três anos sem necessidade de manutenção. Após esse período, deve ser retirado e, se desejado, um novo pode ser inserido imediatamente pelo SUS. A fertilidade retorna rapidamente após a remoção.
Enquanto a oferta do Implanon avança, a SMS recomenda que as mulheres continuem usando os métodos já disponíveis, como DIU de cobre, injetáveis hormonais, pílulas anticoncepcionais e preservativos, sendo estes os únicos que também protegem contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
O serviço será expandido conforme novas equipes das Unidades de Saúde da Família forem capacitadas. Interessadas devem procurar sua unidade de referência para avaliação clínica e orientação sobre a indicação do método.
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