Uma governabilidade marcada por tensões, mas funcional, e um aumento nos embates com o STF (Supremo Tribunal Federal) é a tendência mais provável para a política brasileira, segundo o relatório Risco Brasil, lançado neste mês pela consultoria política Arko Advice.
A consultoria aponta uma ‘probabilidade média’ de que novas fases da Operação Compliance Zero, que está no centro do Caso Master, impactem candidaturas eleitorais, especialmente à Presidência e a cargos majoritários, como Senado e governos estaduais. O Congresso, que reúne figuras do PT à direita bolsonarista, passando pelo centrão, deve ser o Poder que mais absorverá o desgaste advindo do avanço do Caso Master.
Esse cenário pode resultar em um embate mais acirrado entre a Presidência da República, que controla a Polícia Federal, e as casas legislativas, Câmara e Senado. Embora uma ‘agenda mínima’ possa ser preservada, o governo se verá ainda mais limitado nas suas capacidades de avançar no Congresso, especialmente em relação à proposta que visa acabar com a escala de trabalho 6 por 1, uma prioridade do Palácio do Planalto.
Além disso, observando o cenário pós-eleitoral, o ímpeto da direita bolsonarista em conseguir uma maioria no Senado para destituir ministros do STF, não apenas em função do Caso Master, mas por outras razões, também será um fator a ser considerado.
‘A crise institucional já vai ser definida no primeiro turno (das eleições deste ano), com a composição da Câmara e do Senado’, destacou o cientista político Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice.
Ele acrescentou que, ‘se Lula for reeleito e precisar realizar um ajuste fiscal muito sério, isso também custará popularidade e ele provavelmente não terá uma base tranquila no Congresso para implementar essas reformas necessárias.’
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