Em meio à rotina de um grande canteiro de obras, sob um céu nublado e com chuva fina que transformava parte do terreno em lama, seis trabalhadores seguiam firmes em suas atividades. Para muitos, aquele seria apenas mais um dia de trabalho. Para Sivaldo e Edvaldo, no entanto, o cenário representava a concretização de uma nova oportunidade de vida.
Acolhidos pela Casa de Passagem Freitas Brandão, unidade mantida pela Prefeitura de Aracaju por meio da Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas), os dois conquistaram uma vaga de trabalho na construção civil e hoje celebram um novo capítulo marcado pela autonomia, dignidade e esperança.
Sivaldo foi identificado pela equipe da Abordagem Social na região da Avenida João Rodrigues, no bairro 13 de Julho. Na época, ele sobrevivia realizando trabalhos informais, como lavagem de carros e descarregamento de caminhões na Ceasa. Agora, com um emprego formal, Sivaldo vislumbra a possibilidade de reorganizar sua vida e retomar antigos projetos.
“É uma oportunidade muito importante para mim. Estou conseguindo reconstruir minha vida e realizar meus planos. Quero juntar dinheiro, alugar minha casa e voltar a morar com minha esposa”, relata Sivaldo.
Ao seu lado está Edvaldo Silva de Santos, natural da Paraíba. Ele deixou seu estado de origem em busca de trabalho, mas acabou enfrentando a realidade das ruas. Após atendimento realizado pelo Centro Pop, foi encaminhado para acolhimento na Casa de Passagem Freitas Brandão, onde permanece há pouco mais de um mês. Para Edvaldo, a oportunidade de trabalho representa mais do que uma fonte de renda: simboliza a retomada da confiança e a reconstrução de perspectivas para o futuro.
“Estou muito feliz por essa oportunidade. Quero seguir trabalhando, me organizando e poder dar um futuro melhor para meus filhos”, afirma Edvaldo.
Além da inserção no mercado de trabalho, ambos destacam o acolhimento e o acompanhamento recebidos na unidade. A coordenadora da Casa de Passagem Freitas Brandão, Kelly Teles, ressalta que cada conquista dos assistidos representa o resultado de um trabalho contínuo de apoio e fortalecimento da autonomia.
“Eles chegam à unidade em situação de vulnerabilidade, muitas vezes sem perspectivas de futuro. Ver essas pessoas retomando seus projetos de vida por meio do trabalho é a materialização do que preconiza o Sistema Único de Assistência Social: promover autonomia, fortalecimento de vínculos e inclusão social”, destaca Kelly.
Segundo Kelly, a equipe técnica atuou diretamente nos encaminhamentos que possibilitaram a contratação dos trabalhadores. Ela ressalta ainda que o comprometimento demonstrado por eles contribui para ampliar a confiança de empregadores e abrir novas oportunidades para outros acolhidos. Enquanto ajudam a construir uma importante obra para a cidade, Sivaldo e Edvaldo erguem, dia após dia, algo ainda mais significativo: uma nova trajetória marcada pela superação, dignidade e pela possibilidade concreta de recomeçar.
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