Diagnóstico precoce, cirurgias mais seguras e novas quimioterapias têm melhorado o prognóstico. Dr. Leandro Barros lembra que nem todo tumor pancreático é câncer e que subtipos se comportam de modos distintos.
O câncer de pâncreas, uma das doenças mais agressivas, já não é mais visto como uma sentença definitiva. Com o avanço dos tratamentos, técnicas cirúrgicas aprimoradas e protocolos modernos de quimioterapia, as chances de sobrevida têm aumentado, especialmente com o diagnóstico precoce.
O cirurgião Leandro Barros, especialista em transplantes de fígado e rins e em cirurgias do aparelho digestivo, destaca a importância de esclarecer que nem todo tumor pancreático é câncer. Além disso, nem todos os cânceres de pâncreas têm o mesmo comportamento. O adenocarcinoma, que representa cerca de 85% a 90% dos casos malignos, é o tipo mais frequente e apresenta um comportamento biológico mais agressivo.
A principal dificuldade está na evolução silenciosa da doença, que pode passar despercebida em suas fases iniciais, uma vez que o pâncreas está localizado profundamente na cavidade abdominal. Quando surgem sintomas como dor abdominal persistente, perda de peso sem causa aparente, icterícia, alterações digestivas ou diabetes de início recente, o tumor pode já estar em um estágio avançado.
Contudo, Barros ressalta que o cenário atual é muito diferente do que era há duas décadas. “Hoje já não podemos afirmar que todo câncer de pâncreas seja incurável. Existem diferentes tipos de tumores pancreáticos, alguns com prognóstico favorável, como determinados tumores neuroendócrinos”, afirma. Mesmo nos casos de adenocarcinoma, a combinação de quimioterapia moderna com cirurgias especializadas tem mostrado resultados significativamente melhores.
O acesso a centros especializados influencia diretamente os resultados do tratamento. A cirurgia pancreática é considerada uma das mais complexas da medicina e requer equipes experientes e estrutura hospitalar adequada. Barros também esclarece sobre o transplante de pâncreas, que é mais utilizado para pacientes com diabetes tipo 1, especialmente aqueles com complicações, e não é o tratamento padrão para tumores pancreáticos.
O pâncreas desempenha funções essenciais, como a produção de enzimas digestivas e hormônios que regulam os níveis de glicose no sangue. Quando essas funções são comprometidas, podem ocorrer doenças graves que demandam tratamento especializado. Apesar da complexidade do transplante pancreático, o Brasil possui centros de referência capazes de oferecer esse tipo de assistência.
Além do diagnóstico precoce, hábitos saudáveis são cruciais para a saúde do pâncreas. Uma alimentação equilibrada, com menor consumo de gorduras, ajuda a prevenir inflamações. A hiperlipidemia, que é o aumento dos níveis de gordura no sangue, é uma das principais causas de pancreatite.
Nos últimos anos, medicamentos como análogos do GLP-1, incluindo a tirzepatida, revolucionaram o tratamento da obesidade e diabetes tipo 2. No entanto, Barros alerta para os efeitos adversos do uso indiscriminado, como náuseas e episódios de pancreatite, enfatizando a importância do acompanhamento médico.
O histórico familiar também merece atenção, pois alguns tipos de câncer pancreático têm predisposição genética. O aconselhamento genético e o acompanhamento médico periódico são fundamentais nessas situações, permitindo a detecção precoce de alterações que aumentam as chances de tratamento.
Embora o câncer de pâncreas continue sendo um grande desafio na oncologia, os avanços na medicina têm transformado a maneira como a doença é abordada, ressaltando a importância da informação, prevenção e acesso ao tratamento especializado para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
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