O mercado brasileiro passou a contar com um novo ETF (fundo de índice negociado em bolsa) voltado para terras raras e minerais críticos, insumos que ganharam destaque na disputa entre grandes potências por cadeias de suprimento ligadas à transição energética, defesa e tecnologia. O RARA11, gerido pela Investo, iniciou suas negociações no mercado primário da B3 em 26 de junho, enquanto as operações no mercado secundário começam hoje, 29 de junho.
O ETF é uma modalidade que permite ao investidor adquirir, em uma única cota, exposição a uma cesta de ativos ou empresas relacionadas a um determinado índice, setor ou tema. Segundo informações da Investo, o RARA11 replica o REMX, um ETF da VanEck negociado na Bolsa de Nova York, que é domiciliado nos Estados Unidos. Este produto tem como referência o MVIS Global Rare Earth/Strategic Metals Index, o qual acompanha empresas globais ligadas a terras raras e metais estratégicos.
Na prática, o novo ETF possibilita que investidores brasileiros adquiram, por meio da B3 e em reais, exposição a uma carteira internacional de empresas do setor. A composição do fundo inclui companhias de países como China, Austrália, Estados Unidos, Canadá e Chile.
As terras raras constituem um grupo de 17 elementos que são utilizados em diversas tecnologias, como motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, eletrônicos e sistemas de defesa. Apesar de serem denominados ‘raros’, esses minerais não são necessariamente escassos na natureza. O principal desafio reside na capacidade de separar, refinar e processar esses materiais em escala industrial, o que se tornou um tema estratégico para governos e empresas.
A China, por exemplo, detém a maior parte da capacidade global de separação e refino de terras raras, levando outros países, como Estados Unidos, União Europeia e Austrália, a implementarem políticas de financiamento e apoio a cadeias alternativas de minerais críticos.
O material da Investo informa que o RARA11 oferece acesso a mais de 30 empresas especializadas em terras raras e metais estratégicos. Dentre as principais posições do fundo estão companhias como Albemarle, Pilbara Minerals, China Northern Rare Earth, MP Materials e Lynas Rare Earths.
Além das terras raras, o índice também abrange minerais considerados críticos para a transição energética e para setores industriais sensíveis, incluindo lítio, cobalto, titânio, molibdênio e tungstênio. O lançamento do RARA11 coincide com um momento de crescente atenção do mercado financeiro a ativos relacionados a minerais críticos, cuja demanda tem sido impulsionada por veículos elétricos, energia renovável, semicondutores, defesa e tecnologias de armazenamento de energia. Entretanto, o setor também é caracterizado por alta volatilidade, dependência de decisões políticas e concentração de oferta.
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