A festa de rua mais famosa do país volta a abrir espaço para conscientização e diversidade. Em 2026, quatro blocos formados por usuários da Rede de Atenção Psicossocial, familiares, profissionais de saúde e moradores das comunidades vão desfilar em diferentes regiões do Rio de Janeiro, reforçando a mensagem de que cultura e alegria também são direitos de pessoas em sofrimento psíquico.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS-Rio), as agremiações funcionam como ambientes de cuidado, pertencimento e cidadania, além de oferecerem, durante todo o ano, oficinas de música, fantasia, artesanato e percussão.
Zona Mental
Fundado em 2015 na Zona Oeste, o Zona Mental reúne cerca de 14 a 15 serviços de saúde do município. O primeiro desfile ocorreu em 2017, e a edição deste ano está marcada para 6 de fevereiro, com concentração às 16h na Praça Guilherme da Silveira, em Bangu. Presidido pela musicoterapeuta Débora Rezende e pela artista Rogéria Barbosa, o bloco homenageará os nordestinos que vivem na região. O samba vencedor, composto por Marco Antonio Amaral, lembrará o multi-instrumentista Hermeto Pascoal, alagoano que morou em Bangu e morreu no ano passado, aos 89 anos.
Tá Pirando, Pirado, Pirou!
Com 21 anos de história, o Tá Pirando, Pirado, Pirou! sairá em 8 de fevereiro, às 15h, na Avenida Pasteur, Urca, em frente à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). O enredo celebra os 25 anos da Lei 10.216/2001, marco da Reforma Psiquiátrica, e presta tributo ao psiquiatra italiano Franco Basaglia, que influenciou o movimento antimanicomial brasileiro após visitar o Hospital-Colônia de Barbacena, em 1979. A bateria da Portela acompanha o cortejo, além dos blocos convidados Céu da Terra e Vem Cá Minha Flor.
Império Colonial
Criado em 2009 a partir das ações culturais do Museu Bispo do Rosário, o Império Colonial desfila em 10 de fevereiro, com concentração às 14h30 na Praça Nossa Senhora de Fátima, em Jacarepaguá. Pela primeira vez, o bloco contará com alas temáticas para homenagear Arthur Bispo do Rosário, artista plástico diagnosticado com esquizofrenia que viveu quase cinco décadas na Colônia Juliano Moreira. O enredo foi escrito por Alex de Repix, usuário do Caps Jovelina Pérola Negra. A agremiação reúne cerca de 20 integrantes, entre bateria, usuários e profissionais de saúde, mas espera dobrar o público de 200 pessoas alcançado em 2025.
Loucura Suburbana
Mais antigo entre os blocos de saúde mental, o Loucura Suburbana completa 26 anos e desfila em 12 de fevereiro pelas ruas do Engenho de Dentro, na Zona Norte. O samba Para o povo poder cantar foi escolhido entre 25 concorrentes para embalar o cortejo, que em 2025 reuniu mais de 3 mil foliões. O enredo de 2026 combina três eixos: Baluartes, que reverencia dois músicos ligados ao grupo; Território, que destaca o vínculo com a comunidade local; e Loucura, lembrando a relevância do bloco na vida dos participantes. Fantasias podem ser retiradas gratuitamente no barracão e devolvidas após o desfile; maquiagem carnavalesca também será oferecida sem custo.
A superintendência de Saúde Mental da SMS-Rio afirma que os blocos comprovam a importância de políticas de cuidado em liberdade e ajudam a combater estigmas por meio da arte, da convivência e do carnaval.
Com informações de Agência Brasil
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