Os Houthis do Iémen, alinhados ao Irã, anunciaram nesta segunda-feira (20) a imposição de um bloqueio naval à Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb. Essa decisão pode intensificar o conflito na região e interromper o fornecimento global de energia, além de afetar o comércio marítimo no Golfo.
Em um comunicado, as forças armadas dos Houthis declararam “um embargo marítimo contra o inimigo criminoso saudita, baseado na lei de talião ‘olho por olho’, com efeito imediato”. No entanto, não foi especificado como o grupo pretende efetuar esse bloqueio ou se retornará a ataques a navios que transitam pela área.
O Estreito de Bab el-Mandeb, que serve como porta de entrada sul para o Mar Vermelho, é uma via crucial que, se fechada, poderia abrir uma nova frente na crise energética e no conflito entre o Irã e os Estados Unidos. Com 32 km de largura, o estreito separa a Ásia (Iémen, na Península Arábica) da África (Djibuti e Eritreia, no Chifre da África), conectando o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e ao Oceano Índico.
De acordo com informações, os navios que passam pelo estreito transportam mercadorias essenciais, como grãos e matérias-primas, além de produtos manufaturados, facilitando o comércio entre a Ásia e a Europa. O fechamento da rota poderia ter consequências significativas para o mercado global de petróleo e para a economia internacional.
Pressões do Irã sobre os Houthis para fechar o estreito foram intensificadas, especialmente se os EUA continuarem a atacar a infraestrutura energética iraniana. Com o Estreito de Ormuz já bloqueado, o Mar Vermelho se tornou uma rota alternativa vital para o escoamento do petróleo e outros produtos. Uma interrupção severa nessa área poderia afetar simultaneamente as duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio.
Recentemente, a Arábia Saudita desviou mais de 70% de suas exportações diárias normais de petróleo bruto para o Porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Os navios que partem de lá em direção à Europa passam pelo Canal de Suez, enquanto os destinados à Ásia seguem pelo Estreito de Bab el-Mandeb.
Um fechamento total do estreito poderia reduzir a oferta global de petróleo em até 7%, uma vez que a maioria das exportações sauditas deixaria de transitar pela região. Além disso, a interrupção se somaria à já significativa diminuição no fluxo global de petróleo causada pela guerra no Golfo, que já resultou em uma redução de 10% na oferta mundial.
Dados da Kpler e da Signal Ocean indicam que os embarques de petróleo de Yanbu atingiram uma média de 4 milhões de barris por dia nas últimas semanas, um aumento considerável em comparação aos cerca de 973 mil barris diários do mesmo período do ano anterior. O volume total de petróleo que passou pelo estreito chegou a 7,4 milhões de barris por dia em junho, representando cerca de 7% da produção global de petróleo.
Essa situação é crítica para o mercado de energia, que tem se beneficiado da manutenção de preços relativamente baixos. A Arábia Saudita está considerando expandir seu oleoduto até a costa do Mar Vermelho para mitigar os impactos dessa instabilidade. A possibilidade de ações prolongadas por parte dos Houthis, incluindo ataques a embarcações ou portos, representa um risco significativo.
Fontes próximas aos Houthis informaram que o grupo já posicionou mísseis e drones nas terras altas do Iémen, com vista para Hodeidah e o Golfo de Áden, aguardando a ordem para iniciar operações que poderiam impactar a navegação no Mar Vermelho. A coordenação para a tomada de decisões sobre o fechamento do estreito estaria sob a supervisão da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, que já atua na região.
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