A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) analisa, na Coreia do Sul, 30 candidaturas de monumentos, cidades ou sítios arqueológicos que podem ser reconhecidos como Patrimônio Mundial. A 48ª edição do encontro ocorre em Busan, entre 19 e 29 de julho, reunindo representantes dos países que fazem parte da Convenção do Patrimônio Mundial.
O Brasil apresentou a candidatura “Teatros da Amazônia”, que inclui dois conjuntos: o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião, em Manaus, e o Theatro da Paz e a Praça da República, em Belém. Esses edifícios simbolizam a riqueza gerada pelo ciclo da borracha e a modernização das duas principais cidades da região amazônica no final do século XIX.
O parecer técnico do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, o Icomos, recomenda que apenas o conjunto de Manaus permaneça na candidatura. A decisão final sobre o reconhecimento cabe ao Comitê da Unesco.
Uma proposta de alteração apresentada pelas delegações do Líbano e do Peru busca incluir o Theatro da Paz, de Belém, na candidatura, reconhecendo ambos os conjuntos e mantendo o nome “Teatros da Amazônia”. Essa proposta ainda será analisada pelos integrantes do Comitê.
O parecer do Icomos destaca que o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião simbolizam a construção de uma capital moderna no coração da floresta, financiada pela exploração da borracha. O conjunto combina tecnologias e materiais importados da Europa com recursos locais e preserva sua relevância urbana e cultural. O teatro continua a receber espetáculos e funciona como um centro de formação artística e profissional.
O documento também recomenda ao Brasil a criação de um Comitê de Gestão, a aprovação de um plano com orçamento definido para conservação e monitoramento, a ampliação da participação das comunidades locais e o desenvolvimento de pesquisas sobre os impactos sociais e ambientais da exploração da borracha, especialmente sobre povos indígenas e migrantes nordestinos. Além disso, orienta que qualquer obra na área seja submetida previamente a uma avaliação de impacto sobre o patrimônio.
No total, 33 dossiês serão avaliados: 29 novas candidaturas apresentadas pela primeira vez, uma candidatura retomada após análise anterior, duas propostas de alteração significativa de limites e uma nova avaliação de um patrimônio já inscrito sob critérios diferentes. O Comitê também examinará o estado de conservação de 147 bens já reconhecidos e discutirá medidas de proteção e assistência internacional.
Atualmente, a Coreia do Sul não apresenta novas candidaturas, possuindo 17 bens reconhecidos como Patrimônio Mundial, sendo 15 culturais e dois naturais. Entre os mais destacados estão o Palácio Changdeokgung, em Seul, e a Ilha Vulcânica de Jeju.
O Brasil, por sua vez, conta com 25 bens reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco, incluindo Ouro Preto, os centros históricos de Salvador e Olinda, além de Brasília e Fernando de Noronha. Em 2025, o Cânion do Rio Peruaçu, em Minas Gerais, foi adicionado à lista, destacando-se pela beleza natural e importância geológica.
A avaliação dos dossiês de novas inscrições e reavaliações ocorrerá entre 24 e 27 de julho, com a 48ª sessão sendo encerrada na quarta-feira, 29 de julho.

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