Confronto na TV Sergipe reuniu Dr. Helton, Emanuel Cacho, Ricardo Marques e Valmir de Francisquinho; ausência de Fábio Mitidieri ditou o tom das críticas na reta final da campanha.
O último debate televisivo entre os candidatos ao Governo de Sergipe antes do primeiro turno foi marcado por críticas contundentes à gestão estadual atual, discussões sobre a concessão do serviço de água e embates sobre a crise na saúde e na educação. O encontro, promovido pela TV Sergipe na noite desta terça-feira (29) e mediado pelo jornalista Lyderwan Santos, reuniu quatro dos postulantes ao Palácio dos Despachos, mas teve como um de seus focos principais o candidato que não compareceu.
Participaram do confronto Dr. Helton (PSOL), Emanuel Cacho (PSDB), Ricardo Marques (PL) e Valmir de Francisquinho (Republicanos). O candidato à reeleição, Fábio Mitidieri (PSD), declinou do convite. Em nota oficial lida durante a transmissão, a campanha de Fábio justificou que a ausência seguiu orientação estratégica da coordenação, visando manter a campanha pautada por propostas e em respeito aos sergipanos.
O alvo ausente e os embates temáticos
A cadeira vazia de Fábio foi explorada desde o primeiro bloco. Ricardo Marques (PL) abriu os questionamentos ironizando a ausência do adversário e seu comportamento nas redes sociais. Emanuel Cacho (PSDB) também foi incisivo ao longo da noite, apontando para o “espaço vazio” e acusando a formação de um “acordão” político no estado que favorece oligarquias que se alternam no poder há 20 anos.
Nos confrontos diretos, os temas sorteados e livres geraram troca de farpas e divergências de propostas:
- Saneamento e Privatização: A concessão da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) polarizou os discursos. Dr. Helton garantiu que, se eleito, irá reestatizar a distribuição de água, argumentando que serviços essenciais não podem ser geridos visando lucro. Ricardo Marques, por outro lado, afirmou que o atual contrato com a concessionária privada precisa ser rigorosamente cobrado e cumprido. Valmir e Emanuel também criticaram a forma como a pauta hídrica vem sendo conduzida.
- Saúde Pública: A mortalidade infantil e a estrutura da saúde no interior foram focos de tensão. Ricardo Marques atacou diretamente a gestão de Valmir de Francisquinho quando este era prefeito de Itabaiana, cobrando explicações sobre a falta de UTIs. Valmir defendeu seu legado. Já Emanuel Cacho focou na necessidade urgente de descentralizar o atendimento para desafogar os hospitais de Aracaju.
- Educação e Greve: A atual paralisação dos professores da rede estadual foi levantada tanto por Valmir quanto por Dr. Helton, que criticaram duramente a falta de diálogo da atual gestão com a categoria e prometeram a retomada do plano de carreira dos educadores.
Considerações Finais: O último apelo ao eleitor
No quarto e último bloco, os candidatos utilizaram o tempo livre para consolidar suas mensagens finais e tentar garantir vagas em um eventual segundo turno:
Valmir de Francisquinho (Republicanos): Apelou ao seu histórico como prefeito de Itabaiana, prometendo replicar o modelo de gestão em todo o estado. Destacou propostas de assistência social, como o auxílio de R$ 1.200 anuais para mães atípicas, além de investimentos no agronegócio com o programa “Irriga Mais Sergipe” e o uso do Banese para subsidiar o pequeno produtor e isentar o transporte.
Dr. Helton (PSOL): Reafirmou que sua candidatura está elegível e apta, rebatendo boatos de cassação. Fez um discurso voltado aos servidores públicos, defendeu a participação popular, a força do SUS e alinhou fortemente sua imagem à do presidente Lula, criticando os adversários que, segundo ele, governam para empresários.
Ricardo Marques (PL): Adotou um tom emocional, dedicando o debate às mães atípicas, aos pacientes que sofrem nas filas de hospitais e à sua própria mãe. Posicionou-se como um candidato independente, sem o apoio de “poderosos”, pediu o fim das velhas práticas políticas em Sergipe e convocou o eleitor a garantir a realização do segundo turno.
Emanuel Cacho (PSDB): Fechou o debate fazendo duras críticas ao monopólio político no estado. Apresentou seu currículo na área de segurança pública e sistema penitenciário, afirmando não ter medo de enfrentar os grupos que dominam Sergipe há décadas. Condenou o uso da máquina pública na campanha e pediu um voto de confiança para mudar a realidade da segurança e da administração estadual.
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