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Calor mata: 120 mil brasileiros morreram em ondas de calor em 20 anos

Brasil

Calor mata: 120 mil brasileiros morreram em ondas de calor em 20 anos

Estudo revela 120 mil mortes no Brasil devido a ondas de calor entre 2000 e 2019.

17/06/2026 · 00h00 · Atualizado às 18h06
Calor mata: 120 mil brasileiros morreram em ondas de calor em 20 anos

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Pesquisa revela impacto silencioso do calor extremo no Brasil. Além das mortes, aumentam internações por doenças respiratórias, renais e gastrointestinais, sobrecarregando o SUS.

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Um estudo divulgado nesta quarta-feira (17) aponta que aproximadamente 120 mil mortes no Brasil, entre 2000 e 2019, estiveram associadas às ondas de calor, representando 0,6% da mortalidade total no período, excluindo os óbitos por causas externas, como acidentes e violências.

Além disso, o estudo indica um aumento do risco de internações por doenças respiratórias, renais e gastrointestinais durante os períodos de temperaturas extremas. A pesquisa, intitulada Saúde e ondas de calor no Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS, foi realizada por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

A coordenação técnica do projeto ficou a cargo da Ciência&Clima, uma colaboração entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), além do ProAdapta, que envolve o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil (MMA) e o Ministério Federal do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha (BMUKN).

Os dados abrangem 5.566 municípios brasileiros, com apenas quatro excluídos devido a incompatibilidades técnicas e administrativas: Itaparica (BA), Madre de Deus (BA), Fernando de Noronha (PE) e Bombinhas (SC).

As análises apontam uma associação consistente entre a exposição ao calor extremo e o aumento da mortalidade, especialmente entre idosos, pessoas com doenças respiratórias, mulheres e indivíduos com menor escolaridade.

A pesquisadora da Fiocruz, Beatriz Oliveira, ressaltou a importância do estudo ao proporcionar um diagnóstico abrangente do país. “A inovação deste estudo está em integrar, em escala nacional, a caracterização das ondas de calor considerando frequência, intensidade e duração com uma análise detalhada de seus impactos sobre internações hospitalares e mortalidade”, afirmou.

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O pesquisador da UFBA, Ismael Silveira, alertou para a gravidade do problema. “Uma importante implicação é o reconhecimento das ondas de calor como um risco significativo para a saúde pública, o que pode levar à necessidade de planos de contingência específicos e fortalecer a capacidade de resposta do SUS”, destacou.

O levantamento também revelou que, entre a população com mais de 60 anos, há uma alta sensibilidade a doenças respiratórias, renais e metabólicas. As ondas de calor aumentaram de maneira consistente o risco de internações por doenças respiratórias, como pneumonia, e por condições geniturinárias, como insuficiência renal, em diversas regiões do Brasil.

Entre crianças com menos de 10 anos, as gastroenterites se destacaram como a principal causa de internação relacionada a episódios de calor extremo, devido à vulnerabilidade à desidratação e a alterações na qualidade da água e conservação de alimentos.

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Os pesquisadores também sugerem que eventos cardiovasculares durante ondas de calor podem evoluir rapidamente para situações graves, com risco de morte antes da hospitalização.

O supervisor do projeto Ciência&Clima, Sávio Raeder, mencionou que os resultados evidenciam as desigualdades sociais nos impactos do calor extremo. “Na mortalidade, identificamos um gradiente social de risco, com maior aumento percentual do risco de morte entre pessoas com menor escolaridade”, disse.

A pesquisa revelou que a maioria dos municípios brasileiros observou um aumento na frequência e intensidade das ondas de calor entre 2000 e 2019, com os eventos mais frequentes nas regiões Norte e Centro-Oeste e os mais intensos nas regiões Sul e Sudeste.

Os autores do estudo defendem que é necessário fortalecer os sistemas de monitoramento e alerta antecipado para ondas de calor e integrar informações climáticas às ações de vigilância epidemiológica e ambiental do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo Maurício Guerra, diretor de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, os resultados demonstram que o calor extremo já está impactando a saúde da população brasileira. “A pesquisa traz uma mensagem clara: o calor extremo já está custando vidas no Brasil. Os mais de 120 mil óbitos associados às ondas de calor revelam que a adaptação à mudança do clima precisa avançar com urgência”, afirmou.

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Pesquisa revela impacto silencioso do calor extremo no Brasil. Além das mortes, aumentam internações por doenças respiratórias, renais e gastrointestinais, sobrecarregando o SUS.

Um estudo divulgado nesta quarta-feira (17) aponta que aproximadamente 120 mil mortes no Brasil, entre 2000 e 2019, estiveram associadas às ondas de calor, representando 0,6% da mortalidade total no período, excluindo os óbitos por causas externas, como acidentes e violências.

Além disso, o estudo indica um aumento do risco de internações por doenças respiratórias, renais e gastrointestinais durante os períodos de temperaturas extremas. A pesquisa, intitulada Saúde e ondas de calor no Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS, foi realizada por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

A coordenação técnica do projeto ficou a cargo da Ciência&Clima, uma colaboração entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), além do ProAdapta, que envolve o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil (MMA) e o Ministério Federal do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha (BMUKN).

Os dados abrangem 5.566 municípios brasileiros, com apenas quatro excluídos devido a incompatibilidades técnicas e administrativas: Itaparica (BA), Madre de Deus (BA), Fernando de Noronha (PE) e Bombinhas (SC).

As análises apontam uma associação consistente entre a exposição ao calor extremo e o aumento da mortalidade, especialmente entre idosos, pessoas com doenças respiratórias, mulheres e indivíduos com menor escolaridade.

A pesquisadora da Fiocruz, Beatriz Oliveira, ressaltou a importância do estudo ao proporcionar um diagnóstico abrangente do país. “A inovação deste estudo está em integrar, em escala nacional, a caracterização das ondas de calor considerando frequência, intensidade e duração com uma análise detalhada de seus impactos sobre internações hospitalares e mortalidade”, afirmou.

O pesquisador da UFBA, Ismael Silveira, alertou para a gravidade do problema. “Uma importante implicação é o reconhecimento das ondas de calor como um risco significativo para a saúde pública, o que pode levar à necessidade de planos de contingência específicos e fortalecer a capacidade de resposta do SUS”, destacou.

O levantamento também revelou que, entre a população com mais de 60 anos, há uma alta sensibilidade a doenças respiratórias, renais e metabólicas. As ondas de calor aumentaram de maneira consistente o risco de internações por doenças respiratórias, como pneumonia, e por condições geniturinárias, como insuficiência renal, em diversas regiões do Brasil.

Entre crianças com menos de 10 anos, as gastroenterites se destacaram como a principal causa de internação relacionada a episódios de calor extremo, devido à vulnerabilidade à desidratação e a alterações na qualidade da água e conservação de alimentos.

Os pesquisadores também sugerem que eventos cardiovasculares durante ondas de calor podem evoluir rapidamente para situações graves, com risco de morte antes da hospitalização.

O supervisor do projeto Ciência&Clima, Sávio Raeder, mencionou que os resultados evidenciam as desigualdades sociais nos impactos do calor extremo. “Na mortalidade, identificamos um gradiente social de risco, com maior aumento percentual do risco de morte entre pessoas com menor escolaridade”, disse.

A pesquisa revelou que a maioria dos municípios brasileiros observou um aumento na frequência e intensidade das ondas de calor entre 2000 e 2019, com os eventos mais frequentes nas regiões Norte e Centro-Oeste e os mais intensos nas regiões Sul e Sudeste.

Os autores do estudo defendem que é necessário fortalecer os sistemas de monitoramento e alerta antecipado para ondas de calor e integrar informações climáticas às ações de vigilância epidemiológica e ambiental do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo Maurício Guerra, diretor de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, os resultados demonstram que o calor extremo já está impactando a saúde da população brasileira. “A pesquisa traz uma mensagem clara: o calor extremo já está custando vidas no Brasil. Os mais de 120 mil óbitos associados às ondas de calor revelam que a adaptação à mudança do clima precisa avançar com urgência”, afirmou.

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