Um recorde de 10 seleções africanas estará na Copa do Mundo de 2026. Por trás desse feito, a China financiou e ergueu arenas em 7 desses países como estratégia de influência global.
A China desempenha um papel significativo no desenvolvimento futebolístico de 70% das seleções africanas que irão disputar a Copa do Mundo de 2026. Essa influência se manifesta não por meio de intercâmbios táticos ou patrocínios a clubes, mas pela construção dos próprios estádios. Nesta edição do torneio, o continente africano registrou um recorde de 10 países classificados, sendo que em 7 deles, a China construiu estádios de padrão internacional.
A estratégia, conhecida como “diplomacia dos estádios”, é uma ferramenta de soft power utilizada por Pequim para expandir sua influência no continente africano ao longo de mais de 40 anos. Desde o início do século XXI, a presença de empresas chinesas na construção de projetos esportivos se intensificou, especialmente com o lançamento da Nova Rota da Seda em 2013, que visa expandir a infraestrutura e a integração logística global.
A ideia por trás dessa abordagem é fortalecer laços diplomáticos através de projetos de infraestrutura. A China já é uma investidora importante em ferrovias e portos na África, voltando-se também para a construção de estádios, que trazem um valor simbólico adicional, relacionado ao esporte mais popular do mundo.
A presença das marcas chinesas nos estádios, onde as seleções jogam e buscam conquistas, contribui para criar uma imagem positiva da China entre os africanos. Os intercâmbios culturais entre trabalhadores chineses e locais, além do investimento direto na região, são aspectos que favorecem a diplomacia chinesa em um continente rico em recursos naturais.
Por meio das relações estabelecidas através de projetos esportivos, a China poderá futuramente negociar outros projetos que ofereçam benefícios diretos, como o acesso a recursos e consórcios. A estratégia inclui focar em países que sediarão eventos esportivos, como a Copa Africana de Nações. Um exemplo disso é o Estádio Olímpico Alassane Ouattara, na Costa do Marfim, construído por estatais chinesas e com capacidade para 60.000 pessoas, que será o maior estádio da competição em 2024.
Nas últimas seis edições da Copa Africana de Nações, empresas chinesas estiveram ativamente envolvidas na construção de estádios. Segundo o jornal Global Times, a China já ajudou a construir mais de 100 estádios em todo o continente. Outro exemplo é Cabo Verde, que se destacou na Copa do Mundo de 2026 após empatar em 0 a 0 com a Espanha na primeira rodada. O Estádio Nacional de Cabo Verde, que sediou a seleção em sua histórica classificação para o torneio, foi financiado e construído por uma estatal chinesa, tendo sido concluído em 2014 e com capacidade para 15.000 espectadores.
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