O governo chinês aumentou a fiscalização e elevou de 15 mil para 30 mil km o percurso exigido em testes de durabilidade para veículos elétricos e híbridos. Medida busca reduzir riscos de lançamentos apressados.
O governo chinês intensificou a fiscalização sobre as montadoras e lançou uma campanha nacional para reforçar exigências de qualidade e segurança dos veículos produzidos no país. A medida veio como um esforço para conter riscos associados a lançamentos apressados e ao encurtamento de prazos no desenvolvimento de novos modelos.
Entre as novas diretrizes, os reguladores passaram a exigir o dobro do percurso mínimo nos testes de durabilidade para veículos elétricos e híbridos, elevando o limite de 15 mil para 30 mil quilômetros. Além disso, as autoridades proibiram o uso de maçanetas eletrônicas retráteis e de volantes em formato de manche para carros novos a partir de 2027.
O país também endureceu as regras sobre tecnologias de condução assistida depois de um recall que envolveu mais de 4 milhões de carros elétricos, relacionado a falhas na abertura das portas em situações de emergência. A pressão regulatória reflete preocupação com problemas que podem comprometer a segurança de motoristas e passageiros.
A medida surge em resposta ao encurtamento acelerado no desenvolvimento de novos modelos pelas fabricantes locais, que reduziram o tempo de projeto de cinco anos para 18 meses. Executivos de grandes marcas admitiram que prazos tão apertados vêm comprometendo a segurança, o que motivou a reação das agências reguladoras.
Em entrevista à imprensa estatal, Li Shufu, presidente da Geely, declarou que não se pode simplesmente pedir às marcas que reduzam o ritmo em um cenário em que todas estão disputando a liderança. A declaração evidencia o dilema do setor entre velocidade de lançamento e cumprimento de padrões técnicos e de segurança.
As novas regras afetam diretamente fabricantes chinesas com operação no Brasil, como BYD, GWM e Chery, que trabalham com plataformas globais. Embora montadoras ocidentais também busquem acelerar processos — inclusive utilizando tecnologias como inteligência artificial —, as normas chinesas deixam claro que a velocidade de desenvolvimento não pode se sobrepor aos padrões fundamentais de segurança viária.
Analistas esperam que as medidas tragam impacto nos cronogramas de lançamento e na configuração técnica de modelos destinados a mercados externos, ao mesmo tempo em que aumentam a pressão sobre cadeias de produção e fornecedores. A mudança regula aspectos que vão da integridade das portas e maçanetas ao desempenho de sistemas de assistência ao condutor, com efeitos diretos na certificação e na homologação de novos veículos.
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