Na entressafra, o limão segue caro por queda na oferta após chuvas atípicas que prejudicaram florada e colheita. A caixa de 27,2 kg subiu de R$32,10 em junho para R$104,78 em agosto, alta de 226%.
Mesmo em período de entressafra, o limão está caro para o consumidor, acima da média histórica. A alta nos preços está ligada à menor oferta, provocada por chuvas atípicas que prejudicaram a florada e a colheita no início do ano, e também à competição entre mercado interno e externo.
Levantamentos apontam que, no cinturão cítrico paulista — responsável por cerca de 80% da produção nacional — o preço médio pago ao produtor pela caixa de 27,2 kg do limão tahiti passou de R$ 32,10 em junho para R$ 55,60 em julho e R$ 104,78 em agosto. O aumento acumulado no período foi de 226,4%. Em relação a agosto de 2025, o preço em agosto deste ano foi 71% maior.
No atacado, a elevação também foi marcada. No maior entreposto do país, a Ceagesp, o quilo do limão variou de R$ 1,82 no início da entressafra, em maio, para R$ 8,62 no pico, no fim de setembro — alta de 374%. Na CeasaMinas – Grande BH, a variação foi de R$ 2,50 para R$ 8,50, equivalente a 240%.
“O limão tem como uma de suas características ter uma volatilidade muito alta em seu histórico de preços, diferente do que estamos acostumados a ver em outras plantas. O momento atual é um período bem precário, com uma condição especial de chuvas que afetou a florada no começo do ano”, explicou Renato Garcia Ribeiro, pesquisador do Cepea/Esalq.
Segundo análises sobre o ciclo da cultura, o mercado do limão costuma ter pico de safra em janeiro e fevereiro; a produção cai em março e abril e entra na entressafra a partir do fim de maio, estendendo-se até meados de setembro, quando começa a nova safra. O aumento repentino dos preços decorreu da queda na oferta no início da entressafra, em comparação com anos anteriores.
“Normalmente, o mercado do limão funciona da seguinte maneira: em janeiro e fevereiro há o pico da safra. Em março e abril a produção cai, mas fica estável, com a entrada na entressafra propriamente dita em fins de maio. Esse período se estende até meados de setembro, quando começa a entrar a nova safra”, explicou a Conab.
A umidade acima da média no começo do ano e o aumento de dias nublados elevaram a proporção de frutos mais claros, prejudicando a qualidade comercializável e dificultando a colheita. Além disso, a mesma chuva excessiva afetou o pegamento de frutos de floradas anteriores, reduzindo a oferta que deveria aliviar a escassez nos meses de setembro e outubro.
“A principal florada para compor a oferta no segundo semestre, ocorrida em julho, foi afetada por chuvas acima da média que caíram nas principais regiões produtoras [Matão e Bebedouro], e essa florada somente deve gerar volume relevante da fruta a partir de meados de novembro”, esclarece a Conab.
As regiões mais impactadas foram Bebedouro e Matão, que concentram aproximadamente 68% da área de produção do cinturão; do total produzido, 88% corresponde ao limão tahiti. Outros polos, com menor participação, incluem Limeira, Votuporanga e São José do Rio Preto. Também pesa no mercado a exportação de cerca de 11% da safra, principalmente para a Europa, e o aumento da demanda interna em meses mais quentes.
Na última semana, os preços na Ceagesp começaram a diminuir, mas não é possível afirmar que a tendência se manterá. A normalização dos preços está prevista para o fim do ano, com a chegada da nova safra. Há, contudo, risco para a próxima safra: um cenário de El Niño forte no começo de 2027 pode aumentar o calor e o déficit hídrico, estressando as plantas e afetando a florada no final da primavera e início do verão.
“O impacto maior foi no volume de produção. Tivemos anos anteriores bons, mas houve impacto da condição climática, que deve se estender para o próximo ano”, estima Renato Ribeiro, do Cepea/Esalq.
“Mesmo no mês de julho, quando chuvas e ventos anormais afetaram a florada, o fenômeno era de intensidade ainda baixa. Então não podemos afirmar que foi a causa principal das alterações ocorridas nesse mercado. Podemos dizer que contribuiu para essa configuração, mas não foi o fator principal”, avaliam os técnicos da Conab.
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