Vander Costa sugere que o governo priorize obras mais aceitas — Lagoa Mirim e Rio Paraguai — para mostrar ganhos econômicos e sociais. Ele afirma que a medida pode reduzir resistência e abrir diálogo com indígenas.
Em resposta ao aumento da resistência às intervenções na Hidrovia do Tapajós, o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, defendeu que o governo priorize projetos de concessão considerados mais consensuais, como os das hidrovias da Lagoa Mirim e do Rio Paraguai. Em entrevista ao programa Conexão Infra, Costa destacou que essa estratégia pode ajudar a demonstrar os benefícios econômicos, sociais e ambientais do modelo de concessão, além de reduzir a resistência a novos projetos.
O presidente da CNT citou a experiência das concessões rodoviárias, afirmando que a percepção da população costuma mudar após a implementação desses projetos. “Defendemos que se faça o que é mais fácil por hora, que é a concessão da Lagoa Mirim e do Paraguai. Depois, quando houver trafegabilidade o ano todo, a resistência vai diminuir, assim como aconteceu com o pedágio”, afirmou.
A declaração ocorre em meio ao impasse envolvendo a Hidrovia do Tapajós. Desde o fim de 2025, o governo tenta negociar com comunidades indígenas da região para viabilizar o projeto de concessão do rio. Após protestos contra uma dragagem de manutenção realizada pelo DNIT, que não estava relacionada à concessão, o empreendimento foi retirado da carteira de licitações e a intervenção suspensa.
Recentemente, diante da ameaça de uma seca extrema provocada pelo fenômeno El Niño, o governo voltou a discutir a necessidade de uma dragagem emergencial. No entanto, o presidente Lula desautorizou a medida após novas manifestações das comunidades indígenas.
Vander Costa enfatizou a importância da participação das comunidades tradicionais nas discussões, mas ressaltou que é necessário encontrar uma solução que concilie a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico. “Os povos originários merecem respeito, eles precisam ser ouvidos. Mas não podemos permitir que a vontade de uma minoria atrapalhe o desenvolvimento econômico de toda a população”, disse.
A concessão da Hidrovia da Lagoa Mirim é considerada o projeto mais avançado entre as concessões hidroviárias em estruturação pelo governo federal, devendo ser a primeira a ser licitada no Brasil. O governo aponta que a integração da concessão da Lagoa Mirim com os canais de acesso aos portos do Rio Grande do Sul é um dos fatores que pode reduzir a resistência ao projeto.
Esse modelo de concessão reúne, em um único contrato, a gestão dos canais de acesso aos portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, além de trechos hidroviários. Isso garante dragagens permanentes, manutenção da navegabilidade e mais previsibilidade operacional para toda a cadeia logística.
Adicionalmente, a Lagoa Mirim já possui uma conexão natural com o Canal de São Gonçalo e com o sistema hidroviário do Rio Grande do Sul, o que reforça o caráter integrado da concessão e diminui a necessidade de intervenções com possíveis impactos socioambientais.
O projeto prevê investimentos de R$ 134 milhões e visa transformar o sistema em um corredor logístico contínuo, conectando hidrovias e acessos portuários em uma única modelagem. Por sua vez, a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai também está entre as prioridades do Ministério de Portos e Aeroportos, mas ainda depende de um acordo de gestão compartilhada entre os cinco países banhados pela hidrovia: Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai.
Embora o projeto tenha enfrentado entraves ambientais no início das discussões, os desentendimentos são menos frequentes do que em outras hidrovias previstas para as regiões Norte e Nordeste.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

