Empréstimos para trabalhadores CLT cresceram, mas ficaram menores. Valor médio caiu de R$ 8,6 mil para R$ 2,3 mil em um ano, segundo a Serasa Experian.
Um ano após a criação do Crédito do Trabalhador, o número de contratos de crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada (CLT) mais que dobrou, subindo de cerca de 11 mil para mais de 25 mil operações. Apesar desse crescimento significativo na quantidade de contratos, o valor médio dos empréstimos apresentou uma queda expressiva de 73%, passando de R$ 8,6 mil para R$ 2,3 mil, de acordo com um levantamento realizado pela Serasa Experian, divulgado nesta segunda-feira (22).
Os dados revelam que a modalidade de crédito consignado continua em expansão. O Banco Central (BC) informou que o volume mensal liberado em consignado privado aumentou de R$ 1,5 bilhão para quase R$ 11 bilhões após a implementação do programa.
Além do aumento na demanda, a pesquisa também aponta mudanças no perfil das operações. O prazo médio dos contratos diminuiu em 48%, e o número médio de instituições financeiras oferecendo crédito por empresa saltou de quatro para 21, o que indica uma maior concorrência entre os bancos.
“O Crédito do Trabalhador levou bancos e empresas a reorganizarem a lógica de concessão diante de um novo perfil operacional do mercado. O primeiro ano do programa mostrou que existia uma demanda reprimida entre trabalhadores CLT, ao mesmo tempo em que exigiu das instituições financeiras uma adaptação para ofertar crédito em um ambiente mais amplo e competitivo”, afirma Délber Lage, CEO da SalaryFits, empresa da Serasa Experian.
O levantamento também destaca que 78% dos trabalhadores que contrataram o novo consignado possuem mais de 81% da renda comprometida com dívidas de empréstimos e outras obrigações financeiras. Isso indica uma preocupação crescente com o endividamento entre os trabalhadores.
A análise da Serasa Experian sugere que a adesão ao crédito consignado foi mais intensa entre consumidores com um histórico limitado de acesso ao crédito. O estudo revela que 86% dos empréstimos foram contratados por trabalhadores que estão nas faixas mais baixas do score de crédito, enquanto apenas 21% dos tomadores apresentaram pontuação superior a 600.
“É fundamental ressaltar que, à medida que o consignado passa a fazer parte da rotina financeira de mais trabalhadores, cresce também a importância de planejamento e educação financeira para garantir decisões mais conscientes na contratação do crédito”, conclui Délber.
O estudo analisou 191.798 contratos de empréstimo consignado privado vinculados a 88 empresas e considerou operações realizadas até abril de 2026, envolvendo 61 instituições financeiras.
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