O Brasil encerrou 2025 com taxa de desocupação de 5,6%, a menor desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) em 2012. Os números foram divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado contrasta com o ambiente de juros elevados: a Selic atingiu 15% ao ano em junho de 2025, o maior nível em quase duas décadas, após ciclo de alta iniciado em setembro de 2024 pelo Banco Central para conter a inflação.
De acordo com a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, o desempenho do mercado de trabalho foi impulsionado principalmente pelo consumo das famílias, que se manteve firme mesmo diante do crédito mais caro. “As atividades menos dependentes de financiamento, como alimentação, vestuário e serviços pessoais, foram as que mais cresceram”, explicou a pesquisadora.
A Pnad contabilizou 103 milhões de trabalhadores ocupados em 2025 e 6,2 milhões de pessoas em busca de emprego. A renda também avançou: o rendimento médio real chegou ao recorde de R$ 3.560, aumento de 5,7% frente a 2024, já descontada a inflação.
Distribuição dos postos de trabalho
- Comércio, reparação de veículos e motocicletas: 19,5 milhões
- Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais: 19 milhões
- Informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas: 13,4 milhões
- Indústria geral: 13,3 milhões
- Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: 7,9 milhões
- Construção: 7,4 milhões
- Serviços domésticos: 5,7 milhões
- Transporte, armazenagem e correio: 5,9 milhões
- Outros serviços: 5,6 milhões
- Alojamento e alimentação: 5,4 milhões
O levantamento também ressalta o avanço do trabalho por conta própria, que alcançou 26,1 milhões de pessoas — 73% delas sem registro no CNPJ. Em paralelo, o número de empregados com carteira assinada atingiu 38,9 milhões, o maior da série, enquanto o contingente sem carteira recuou 0,8%, para 13,8 milhões.
Para Beringuy, o crescimento simultâneo do emprego formal e do trabalho autônomo indica expansão geral das oportunidades. O controle gradual da inflação e a valorização real do salário mínimo também contribuíram para o aumento da renda e, consequentemente, para a sustentação do consumo.
Com juros altos encarecendo o crédito, o comportamento de compra se concentrou em itens não duráveis e serviços essenciais, reduzindo o efeito contracionista esperado sobre o mercado de trabalho.
Com informações de Agência Brasil
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