O setor reúne 196 cooperativas, 228,8 mil cooperados e mais de 21 mil empregos. Os dados revelam o peso crescente do cooperativismo no agronegócio mineiro.
As cooperativas agropecuárias continuam a ser a principal força econômica dentro do sistema de cooperativismo em Minas Gerais. Em 2025, essas cooperativas ampliaram sua participação na economia do estado, em um momento em que os produtores rurais buscam maior escala, acesso a mercados e crédito para custeio das operações.
Até o ano passado, o setor contava com 196 cooperativas, envolvendo 228,8 mil cooperados e mais de 21 mil empregados, conforme os dados do Anuário do Cooperativismo Mineiro 2026, divulgado pelo Sistema Ocemg em junho. A relevância econômica do cooperativismo é evidenciada pelo avanço do setor na economia mineira, que em 2025 movimentou R$ 184 bilhões, correspondendo a 15,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado.
Ainda que o anuário não separe a contribuição do ramo agropecuário desse total, ele se destaca como um dos segmentos mais tradicionais e disseminados do sistema, com forte presença em regiões como Sul de Minas, Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.
“As 10 maiores cooperativas de Minas movimentam mais do que muitos grupos empresariais”, destaca o relatório, refletindo o avanço das cooperativas agropecuárias, financeiras, de saúde, infraestrutura e consumo.
Entre as cadeias mais representativas do setor estão café, leite, grãos, pecuária e horticultura. As cooperativas não apenas atuam como canais de comercialização, mas também ampliam sua atuação em etapas de maior valor agregado, investindo em armazenagem, industrialização, assistência técnica, rastreabilidade e serviços financeiros aos associados.
Esse movimento ocorre em um ambiente de negócios marcado por dificuldades de financiamento e juros elevados, além da pressão das cotações internacionais, que afetam o preço pago aos produtores. Nesse cenário, especialistas do sistema Ocemg avaliam que o cooperativismo se consolida como uma estratégia eficaz para diluir custos, compartilhar investimentos e aumentar o poder de negociação dos agricultores.
As cooperativas de Minas Gerais têm demonstrado um papel fundamental na economia estadual, superando a atuação de muitas indústrias. No total, o estado conta com 4,23 milhões de cooperados distribuídos em 788 cooperativas. A arrecadação tributária gerada pelo setor atingiu R$ 4,2 bilhões em 2025, representando um crescimento de 13,3% em relação ao ano anterior.
Considerando o impacto indireto sobre as famílias dos associados, estima-se que aproximadamente 59,6% da população mineira esteja de alguma forma ligada ao cooperativismo. Esses números indicam que o cooperativismo deixou de ser um nicho restrito a certas cadeias produtivas, assumindo um papel relevante na estrutura econômica mineira, conforme destacou o presidente do sistema Ocemg.
A distribuição dos cooperados pelo território mineiro revela uma dinâmica econômica própria, distinta daquela tradicionalmente associada aos polos industriais do estado. A Região Metropolitana de Belo Horizonte concentra o maior número de cooperados, com cerca de 985 mil pessoas, seguida pelo Triângulo Mineiro, com aproximadamente 644 mil, e o Sul de Minas, com 632 mil associados.
Essas regiões se destacam pela forte presença de cooperativas de crédito e do agronegócio, especialmente relacionadas às cadeias do café, leite, grãos e pecuária. O crescimento do cooperativismo em áreas predominantemente agropecuárias também sugere um movimento de interiorização dos serviços financeiros, assistência técnica, comercialização e valorização da produção rural.
Em muitos municípios mineiros, as cooperativas desempenham funções que vão além da atividade econômica, atuando como agentes de inclusão financeira, formação profissional e retenção de renda local, especialmente no interior.
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