A polícia encontrou, nesta sexta-feira (17), o corpo da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, em Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro. Berenice estava desaparecida desde o dia 30 de junho, quando foi vista pela última vez em Ubatuba, no litoral Norte de São Paulo.
A principal suspeita do crime é a comerciante Eliane Alves dos Santos, de 46 anos, ex-patroa da vítima. Eliane foi presa temporariamente no último dia 8 de julho e permanece detida enquanto as investigações prosseguem.
A localização do corpo de Berenice foi resultado de uma força-tarefa da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Sebastião, que contou com o apoio do 3º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) de São José dos Campos e da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A descoberta do corpo gerou comoção na comunidade local e levantou questionamentos sobre a relação entre a vítima e a suspeita.
De acordo com as investigações, Berenice trabalhava e morava em uma pousada e mercado de propriedade de Eliane, localizada no bairro de Ubatumirim, em Ubatuba. A relação entre as duas começou a se deteriorar devido a divergências sobre a rescisão trabalhista após Berenice pedir demissão. Ela reivindicava cerca de R$5 mil em direitos trabalhistas, valor que Eliane teria se negado a pagar.
O clima se agravou ainda mais quando Eliane começou a suspeitar que Berenice estaria furtando mercadorias do estabelecimento. Testemunhas relataram que, na tarde do dia 30 de junho, houve uma discussão acalorada entre as duas, que resultou em agressões físicas. Durante esta discussão, Berenice gritou por socorro, e uma vizinha chegou a ver Eliane com marcas de agressão no rosto.
“Eu vi quando elas estavam discutindo e Berenice estava pedindo ajuda”, contou uma testemunha que preferiu não se identificar.
Ainda segundo o inquérito policial, no dia do desaparecimento, Eliane e um primo teriam forçado Berenice a entrar em uma caminhonete. O primo de Eliane alegou que a ex-patroa disparou contra Berenice dentro do veículo, o que resultou na morte da cozinheira. O corpo foi abandonado na divisa entre Ubatuba e Paraty.
O desaparecimento de Berenice foi registrado no dia 2 de julho pelo filho da vítima, que estranhou a falta de contato da mãe, que se comunicava diariamente com a família. Eliane, em seu depoimento, negou qualquer desentendimento e afirmou que havia feito um acordo amigável com Berenice, alegando ter pago R$2.600 em espécie, sem recibo.
A investigação também revelou que, após ser ouvida, Eliane começou a circular com a caminhonete fora do litoral paulista, e sua versão sobre os eventos foi contestada por imagens de câmeras de segurança. A Justiça de São Paulo decidiu pela prisão temporária de Eliane, que permanece sob investigação.
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