Turistas buscam mais que paisagens: querem receitas, festas e histórias únicas do lugar. Pequenos negócios que valorizam manifestações e produtos locais atraem públicos e geram renda.
Mais do que visitar paisagens, muitos turistas buscam experiências que só fazem sentido naquele território: uma receita feita com ingredientes locais, uma manifestação cultural, uma história contada por quem vive ali ou o modo de receber o visitante. Para pequenos negócios do setor, incorporar esses elementos aos pacotes pode valorizar a cultura local, abrir novos mercados e criar produtos turísticos diferenciados.
O Dia Mundial do Turismo será celebrado em 27 de novembro. Atualmente, o setor representa cerca de 8% do PIB brasileiro e mais de 97% das 1,78 milhão de empresas do segmento são pequenos negócios, o que mostra a importância da atividade para a economia local e para a geração de emprego em municípios de todas as regiões do país.
Segundo Ana Clévia Guerreiro, analista da Unidade de Competitividade do Sebrae Nacional, a singularidade não está necessariamente no produto, mas na relação dele com o lugar.
“Dois destinos podem oferecer manifestações ou produtos semelhantes, mas cada território imprime características próprias a eles. É o território que confere essa singularidade”
A analista ressalta ainda que esse diferencial não depende de grandes estruturas ou altos investimentos. A identidade pode residir no jeito de fazer e de se relacionar com o público.
“Não está vinculada ao porte do negócio”
Casos práticos mostram como a identidade territorial pode virar produto e fortalecer economias locais. Em Corumbá (MS), a empreendedora Thayná Cambará criou a Bela Oyá Pantanal, agência receptiva de afroturismo que leva à oferta turística a história e as identidades negras do Pantanal, aproximando visitantes de comunidades quilombolas, ribeirinhas e de povos de terreiro.
“Passei pelo meu próprio processo de identificação e reconhecimento étnico-racial, de compreender a minha história, minha ancestralidade e o território a partir de um outro olhar”
Nos roteiros, festas populares, religiosidade, gastronomia, música e oralidade compõem experiências que a empreendedora define como “Pantanal Negro”, com foco em colocar os detentores dos saberes no centro das vivências. A iniciativa também busca distribuir os benefícios econômicos do turismo entre outros pequenos negócios locais.
“É fazer com que quem historicamente preservou essas histórias e saberes também seja protagonista das oportunidades econômicas geradas por eles”
A articulação entre empresas, poder público e comunidade aparece como peça-chave para fortalecer destinos. Télcio Barboza, analista do Sebrae MS e gestor de Turismo, descreve o acompanhamento feito à empreendedora por meio de capacitações, assessoria e do programa Agente de Roteiros Turísticos.
“Ela sempre está conosco, em todos os eventos em que é possível a participação da empresa, nas rodadas de negócio, nas apresentações de produtos”
No litoral do Ceará, o projeto Quintais Gastronômicos, em Amontada, reúne sete empreendedoras que recebem visitantes em quintais, varandas e garagens, transformando espaços domésticos em pontos de gastronomia e convivência. Segundo Luana Maura, analista técnica do Sebrae CE e gestora da Rota Costa dos Ventos, um objetivo é garantir que a própria comunidade se beneficie do potencial turístico do destino.
“As empreendedoras são nativas e o turista pode vivenciar essas raízes”
O trabalho de apoio focou na profissionalização de negócios que já existiam, com consultorias e troca de experiências entre as empreendedoras, ampliando as oportunidades para que atividades cotidianas se tornem produtos turísticos valorizados.


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