A defesa de Daniela Beatriz, tia da recém-nascida que impediu uma tentativa de sequestro em uma maternidade de Teresina, no Piauí, revelou que ela está com medo de se manifestar publicamente após ser indiciada por crimes contra a honra. Em entrevista, o advogado Carlos Eduardo Costa afirmou que a cliente está psicologicamente abalada e tem questionado constantemente sobre o que pode ou não ser falado. “Ela está muito abalada psicologicamente. A todo momento, ela questiona a nós o que pode e o que não pode ser falado. Se pode se expressar e o que não pode expressar, porque ela está com medo”, declarou.
Daniela foi indiciada pela Polícia Civil do Piauí pelos crimes de calúnia, difamação e injúria contra uma supervisora da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa. Segundo a delegada Amanda Bezerra, a tia da bebê publicou imagens e declarações que associavam a profissional à tentativa de sequestro. Contudo, a investigação concluiu que a funcionária não teve participação no crime e que a técnica de enfermagem investigada atuou sozinha.
De acordo com Carlos Eduardo, há uma medida cautelar que impede Daniela de citar o nome, divulgar imagens ou compartilhar informações que identifiquem a supervisora. O advogado alertou que o descumprimento da decisão pode resultar em multas que variam de R$ 500 a R$ 5 mil, o que agrava o estado emocional de sua cliente. “Ela está com muito receio, com medo de ser presa”, afirmou. Daniela vive com a família no interior do Piauí e enfrenta dificuldades para compreender a dimensão jurídica do caso.
A defesa argumenta que as publicações feitas por Daniela ocorreram em um momento de extrema tensão e sem a intenção de prejudicar a reputação de terceiros. Em nota divulgada anteriormente, os advogados afirmaram que Daniela estava sob forte abalo emocional e se comprometeria a não citar novamente pessoas que, segundo a investigação, não têm ligação com o episódio.
Durante a entrevista, Carlos Eduardo questionou o indiciamento e expressou sua incompreensão sobre como Daniela, que agiu para impedir a retirada da sobrinha da maternidade, foi transformada em investigada por suas manifestações nas redes sociais. “Eu não consigo compreender como é que uma pessoa que age como heroína tem sido atacada desta forma, com a acusação desse nível”, afirmou.
O advogado também levantou um debate sobre o reconhecimento de atos de coragem praticados por mulheres, comparando a situação de Daniela com a de homens que salvam crianças em emergências. Em sua avaliação, as gravações feitas por Daniela foram essenciais para evitar o sequestro e tornar o caso público. “Se a Daniela não tivesse filmado o sequestro da sobrinha dela, será que tinha evitado o sequestro?”, questionou, reforçando que “A Daniela agiu com heroísmo. A Daniela, em nenhum momento, tentou contra a honra de ninguém. Ela não caluniou, ela não difamou”.
O caso se refere a uma tentativa de sequestro ocorrida em 6 de julho, quando uma técnica de enfermagem abordou a família da recém-nascida, alegando que levaria a criança para exames. Daniela desconfiou e decidiu seguir a profissional, resultando na recuperação da bebê após a suspeita ser flagrada em uma situação comprometedora.




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