Denominada “Operação Vérnix”, a ação investiga o uso de empresas de fachada e contas bancárias para ocultar recursos da cúpula da facção criminosa.
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira, 21, em sua residência em Barueri (SP), durante a “Operação Vérnix”. Deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil, a ação visa desarticular um esquema de lavagem de dinheiro estruturado em benefício do Primeiro Comando da Capital (PCC). A influenciadora havia retornado ao Brasil na quarta-feira, 20, após uma viagem a Roma, na Itália, período em que seu nome chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol.
A operação cumpre seis mandados de prisão preventiva, ordens de busca e apreensão e o bloqueio de bens. Entre os alvos principais está Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como o chefe da organização criminosa, além de seu irmão, Alejandro Camacho, e dois sobrinhos do líder da facção. Marcola e Alejandro, que já cumprem pena na Penitenciária Federal de Brasília, foram formalmente notificados das novas ordens judiciais em suas celas.
Detalhes das investigações e prisões
Também foi preso em flagrante Everton de Souza, conhecido pelo apelido de “Player”. De acordo com os relatórios das investigações baseados em mensagens interceptadas, Everton atuava diretamente como operador financeiro do grupo, orientando a distribuição de valores e indicando as contas bancárias que seriam utilizadas para as movimentações ilícitas da organização.
O Ministério Público suspeita que Deolane Bezerra utilizava suas contas bancárias pessoais para receber e mascarar repasses financeiros expressivos. O esquema utilizava uma transportadora de cargas de fachada, localizada em Presidente Venceslau, no interior paulista, que servia para branquear o capital obtido com o tráfico de drogas e beneficiar diretamente os familiares de Marcola. A análise fiscal identificou diversas transferências fracionadas e não declaradas para as contas da influenciadora, somando movimentações suspeitas.
Bloqueios judiciais e apreensões
Em decorrência das investigações, a Justiça de São Paulo determinou medidas patrimoniais duras contra os suspeitos. Ao todo, as ordens judiciais determinaram:
- O bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões especificamente em contas vinculadas a Deolane Bezerra;
- O bloqueio global de mais de R$ 357,5 milhões nas contas bancárias dos demais investigados no processo;
- A apreensão de 39 veículos de luxo e de alta cilindrada pertencentes ao grupo, com avaliação total estimada em mais de R$ 8 milhões.
Até a publicação desta reportagem, as equipes de defesa de Deolane Bezerra, Everton de Souza e dos demais citados no inquérito policial não foram localizadas e não emitiram pronunciamentos oficiais sobre as acusações de lavagem de dinheiro e associação criminosa.
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