A taxa de desemprego no Brasil caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025, mas a desigualdade racial no mercado de trabalho continua acentuada. As mulheres negras registraram a maior taxa de desocupação entre os grupos analisados, de 8,5%, segundo o Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026.
De acordo com o relatório, a desocupação entre as mulheres negras recuou de 9,6% para 8,5% no período. Já entre as mulheres não negras, o índice caiu de 6,3% para 4,9% — uma diferença de 3,6 pontos percentuais entre os dois grupos.
Entre os homens, a discrepância também é notável: a taxa de desocupação foi de 5,3% para os negros e de 3,8% para os não negros, distância de 1,5 ponto percentual.
A pesquisa destacou ainda a desigualdade persistente no trabalho doméstico. Entre as mulheres fora da força de trabalho que desejam trabalhar, 31% relataram não ter procurado emprego por causa de responsabilidades domésticas e de cuidado com outras pessoas.
Rendimentos
O relatório também analisou os rendimentos dos diferentes grupos. Em 2025, os salários médios reais aumentaram para ambos os sexos, mas o crescimento foi mais expressivo entre os homens (5,8%) do que entre as mulheres (4,8%), diferença de 1 ponto percentual. Com isso, as mulheres passaram a receber, em média, 72,2% do rendimento masculino, proporção inferior à observada em 2024.
O recorte racial acentua ainda mais as discrepâncias. As mulheres negras receberam, em média, R$ 2.184 mensais, enquanto as mulheres não negras ganharam R$ 3.628 e os homens não negros, R$ 5.172.
Em sua quarta edição, o Observatório Brasileiro das Desigualdades busca oferecer um panorama da realidade vivida pelos brasileiros em áreas como saúde, mercado de trabalho, alimentação e bem-estar. Segundo especialistas ouvidos no estudo, são necessárias novas políticas voltadas sobretudo à população negra e às minorias, entre elas uma reforma tributária mais justa, medidas de redistribuição de renda e ações afirmativas.
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