Desde que assumiu o “Domingão”, Luciano Huck tem buscado aproximar o programa do universo digital. Influenciadores e criadores de conteúdo têm sido convidados, com o objetivo de renovar o público e dialogar com novas gerações. Essa estratégia, que faz sentido na teoria, enfrenta desafios na prática.
Um exemplo recente foi a participação de Virginia Fonseca no “Diário de Virginia” durante a Copa do Mundo. Antes da estreia, o quadro gerou repercussão nas redes sociais e mobilizou críticas, mas não foi comprovada uma migração significativa de seus seguidores para o programa. O debate em torno do quadro foi mais barulhento do que o próprio conteúdo.
Nos últimos anos, o “Domingão” tem aberto espaço para nomes ligados ao ambiente digital, mas isso não significa um erro estratégico. É fundamental que a televisão converse com quem produz todo tipo de conteúdo. O equívoco pode estar em supor que seguidores se tornam automaticamente telespectadores, o que não ocorre.
A internet e a televisão compartilham artistas e temas, mas operam sob lógicas distintas. Quem acompanha um criador por vídeos curtos no celular pode não dispor de tempo para assistir a um programa de longa duração aos domingos. A maior dificuldade da Globo pode não ser apenas trazer influenciadores para o “Domingão”, mas encontrar formas de integrá-los à linguagem da televisão. A audiência precisa ser conquistada, e não se transfere por osmose, mesmo com personagens que têm milhões de seguidores.
“A televisão precisa conversar com quem produz todo tipo de conteúdo. O erro, talvez, esteja em imaginar que seguidores se transformam automaticamente em telespectadores.”
Além disso, a cobertura da Copa do Mundo tem gerado críticas e reações diversas. A jornalista Fernanda Gentil se emocionou durante uma entrevista logo após a eliminação do Brasil, levantando discussões sobre a coerência nas reações da cobertura. Enquanto isso, programas como o “Programa Silvio Santos” e o “Domingão” apresentaram conteúdos gravados que não refletiam o clima de descontentamento da torcida após a derrota brasileira.
Essas situações reforçam uma lição antiga: é essencial que o conteúdo da televisão converse com o estado emocional do público. Com a Copa encerrada, surgem questionamentos sobre a confiança nos bastidores do futebol e a condução das competições. Os desafios continuam, tanto na televisão quanto no esporte, em um cenário em que a audiência e a conexão com o público são cada vez mais essenciais.
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