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Dormir com luz acesa pode aumentar risco de doenças cardíacas, aponta pesquisa

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Dormir com luz acesa pode aumentar risco de doenças cardíacas, aponta pesquisa

Pesquisa revela que dormir com luz acesa aumenta risco de doenças cardíacas.

04/07/2026 · 17h47
Dormir com luz acesa pode aumentar risco de doenças cardíacas, aponta pesquisa

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Dormir com a luz acesa ou em ambientes iluminados pode impactar a saúde do coração, segundo uma pesquisa publicada recentemente no JAMA Network Open. O estudo analisou informações de quase 89.000 adultos com mais de 40 anos e encontrou uma forte associação entre maior exposição à luz durante a noite e o risco de doenças cardiovasculares.

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A pesquisa se baseou em dados do UK Biobank, um levantamento nacional do Reino Unido. Os participantes selecionados foram acompanhados por cerca de 8 anos, e sua exposição à luz foi medida por sensores utilizados no punho durante uma semana, que captaram a luminosidade real do ambiente.

Os resultados demonstraram que pessoas que dormem em quartos mais claros têm maior risco de desenvolver doenças cardíacas em comparação com aquelas que dormem em ambientes mais escuros. O risco aumentou em 56% para insuficiência cardíaca, em 47% para infarto e em 30% para doenças como a doença arterial coronariana, fibrilação atrial e acidente vascular cerebral (AVC).

“São números bastante expressivos e, de certa forma, surpreendentes”, afirmou a cardiologista Juliana Soares, do Einstein Hospital Israelita.

Segundo ela, trabalhos anteriores estimavam a luz por meio de imagens de satélite. Ao utilizar a exposição individual, essa metodologia transforma uma suspeita antiga em uma evidência mais robusta. “A gente já tinha a hipótese de que a luz noturna poderia prejudicar a saúde, mas esse estudo ajuda a consolidar isso como um fator relevante dentro da higiene do sono”.

Na prática, o aumento de risco se aproxima de fatores clássicos. “Quando falamos de um aumento de 40% ou 50% no risco, estamos entrando em um patamar comparável, dependendo do contexto, ao de uma hipertensão leve não tratada ou ao tabagismo moderado”, explicou Soares.

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O mecanismo que ajuda a explicar a associação entre a iluminação e o risco cardiovascular é o ritmo circadiano, que regula funções essenciais do organismo. A exposição à luz durante o período em que o corpo deveria estar no escuro interfere diretamente nesse “relógio” biológico. “A luz noturna suprime a produção de melatonina, o hormônio que sinaliza para o organismo que é hora de descansar”, esclareceu a cardiologista.

Esse desequilíbrio pode gerar um estado inflamatório crônico e sobrecarregar o sistema cardiovascular ao longo do tempo, mantendo a pressão arterial elevada durante o sono.

O estudo aponta que o aumento do risco cardiovascular se manteve mesmo após ajustes para fatores como dieta, atividade física e duração do sono, indicando que a luz noturna atua como um fator independente. “Mesmo que a pessoa se alimente bem, exercite-se e durma o suficiente, ela ainda pode estar prejudicando o coração se dorme em um ambiente iluminado”, declarou a médica.

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Na prática, todo tipo de iluminação conta como “luz noturna”: luz do teto, televisão ligada, abajur, luz que entra pela janela e luzes de aparelhos eletrônicos. “Mas especialmente as telas, que são um grande vilão”, afirmou Juliana Soares.

Outro dado que chamou a atenção foi o impacto mais intenso entre os mais jovens e mulheres. O sistema circadiano feminino parece ser mais sensível a interferências externas, possivelmente por influência do estrogênio. Entre os mais jovens, a maior transparência do cristalino facilita a entrada de luz, especialmente a luz azul, aumentando essa sensibilidade.

É importante ressaltar que esse é um trabalho observacional e não estabelece uma relação de causa e efeito. No entanto, os achados podem ser úteis para rever condutas do dia a dia, como evitar telas antes de dormir, retirar aparelhos eletrônicos do quarto e usar cortinas blackout.

Pessoas com hipertensão, doenças cardiovasculares ou que trabalham em turnos devem ter mais cuidado, pois já têm o organismo mais vulnerável à desregulação do ciclo circadiano.

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Dormir com a luz acesa ou em ambientes iluminados pode impactar a saúde do coração, segundo uma pesquisa publicada recentemente no JAMA Network Open. O estudo analisou informações de quase 89.000 adultos com mais de 40 anos e encontrou uma forte associação entre maior exposição à luz durante a noite e o risco de doenças cardiovasculares.

A pesquisa se baseou em dados do UK Biobank, um levantamento nacional do Reino Unido. Os participantes selecionados foram acompanhados por cerca de 8 anos, e sua exposição à luz foi medida por sensores utilizados no punho durante uma semana, que captaram a luminosidade real do ambiente.

Os resultados demonstraram que pessoas que dormem em quartos mais claros têm maior risco de desenvolver doenças cardíacas em comparação com aquelas que dormem em ambientes mais escuros. O risco aumentou em 56% para insuficiência cardíaca, em 47% para infarto e em 30% para doenças como a doença arterial coronariana, fibrilação atrial e acidente vascular cerebral (AVC).

“São números bastante expressivos e, de certa forma, surpreendentes”, afirmou a cardiologista Juliana Soares, do Einstein Hospital Israelita.

Segundo ela, trabalhos anteriores estimavam a luz por meio de imagens de satélite. Ao utilizar a exposição individual, essa metodologia transforma uma suspeita antiga em uma evidência mais robusta. “A gente já tinha a hipótese de que a luz noturna poderia prejudicar a saúde, mas esse estudo ajuda a consolidar isso como um fator relevante dentro da higiene do sono”.

Na prática, o aumento de risco se aproxima de fatores clássicos. “Quando falamos de um aumento de 40% ou 50% no risco, estamos entrando em um patamar comparável, dependendo do contexto, ao de uma hipertensão leve não tratada ou ao tabagismo moderado”, explicou Soares.

O mecanismo que ajuda a explicar a associação entre a iluminação e o risco cardiovascular é o ritmo circadiano, que regula funções essenciais do organismo. A exposição à luz durante o período em que o corpo deveria estar no escuro interfere diretamente nesse “relógio” biológico. “A luz noturna suprime a produção de melatonina, o hormônio que sinaliza para o organismo que é hora de descansar”, esclareceu a cardiologista.

Esse desequilíbrio pode gerar um estado inflamatório crônico e sobrecarregar o sistema cardiovascular ao longo do tempo, mantendo a pressão arterial elevada durante o sono.

O estudo aponta que o aumento do risco cardiovascular se manteve mesmo após ajustes para fatores como dieta, atividade física e duração do sono, indicando que a luz noturna atua como um fator independente. “Mesmo que a pessoa se alimente bem, exercite-se e durma o suficiente, ela ainda pode estar prejudicando o coração se dorme em um ambiente iluminado”, declarou a médica.

Na prática, todo tipo de iluminação conta como “luz noturna”: luz do teto, televisão ligada, abajur, luz que entra pela janela e luzes de aparelhos eletrônicos. “Mas especialmente as telas, que são um grande vilão”, afirmou Juliana Soares.

Outro dado que chamou a atenção foi o impacto mais intenso entre os mais jovens e mulheres. O sistema circadiano feminino parece ser mais sensível a interferências externas, possivelmente por influência do estrogênio. Entre os mais jovens, a maior transparência do cristalino facilita a entrada de luz, especialmente a luz azul, aumentando essa sensibilidade.

É importante ressaltar que esse é um trabalho observacional e não estabelece uma relação de causa e efeito. No entanto, os achados podem ser úteis para rever condutas do dia a dia, como evitar telas antes de dormir, retirar aparelhos eletrônicos do quarto e usar cortinas blackout.

Pessoas com hipertensão, doenças cardiovasculares ou que trabalham em turnos devem ter mais cuidado, pois já têm o organismo mais vulnerável à desregulação do ciclo circadiano.

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