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Aracaju, Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
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Educação

Escolas paulistas recorrem a quadrinhos e rodas de conversa para ensinar história afro-brasileira

Redes de ensino da capital e do estado de São Paulo intensificaram o uso de quadrinhos, rodas de conversa e formações docentes para cumprir a lei de 2003, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira da educação infantil ao ensino médio. Duas décadas depois, a falta de diálogo e conflitos motivados por questões religiosas continuam sendo obstáculos.

30/11/2025 · 12h35
Escolas paulistas recorrem a quadrinhos e rodas de conversa para ensinar história afro-brasileira

Redes de ensino da capital e do estado de São Paulo intensificaram o uso de quadrinhos, rodas de conversa e formações docentes para cumprir a lei de 2003, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira da educação infantil ao ensino médio. Duas décadas depois, a falta de diálogo e conflitos motivados por questões religiosas continuam sendo obstáculos.

No mês da Consciência Negra, uma escola pública paulista recebeu policiais armados chamados por um pai depois que a filha desenhou um orixá em atividade de classe. O episódio foi criticado por responsáveis, comunidade escolar e parlamentares.

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Livros e orientações na rede municipal

Para apoiar o trabalho em sala, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo distribuiu 700 mil exemplares com temática étnico-racial em 2022, incluindo títulos infantis, juvenis e adultos. As unidades também utilizam o documento “Orientações Pedagógicas: Povos Afro-brasileiros”, que detalha práticas de valorização de histórias e culturas afro-brasileiras, indígenas e de migrantes.

As ações são acompanhadas pelo Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais (NEER), responsável por integrar esse acervo ao Currículo da Cidade e orientar projetos antirracistas.

Formação de professores na rede estadual

No âmbito estadual, o Programa Multiplica Educação Antirracista, conduzido pela Coordenadoria de Educação Inclusiva (COEIN) e pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EFAPE), já formou 6,8 mil docentes desde 2024 em conteúdos sobre cultura e religiosidade africanas. Segundo a Secretaria da Educação do Estado (Seduc-SP), a iniciativa garante que o tema faça parte da rotina escolar como componente da formação histórica e cultural dos estudantes.

Práticas em sala de aula

Professora de geografia há mais de 20 anos, Núbia Esteves leciona nos ensinos fundamental e médio da EMEF Solano Trindade, no Jardim Boa Vista, zona oeste paulistana. Premiada por ações de preservação da memória do bairro, ela utiliza mitologia comparada para tratar dos orixás como elementos culturais.

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“Eu não trabalho religião, trabalho cultura”, afirma. Nas aulas, estudantes relacionam Iansã à deusa grega Atena, Oxum a Afrodite e Xangô a Zeus. A professora também compara divindades ligadas à natureza, como Iemanjá (mares) e Oxóssi (matas), para discutir preservação ambiental.

Quadrinhos, vídeos e trechos de autores como Pierre Verger e Reginaldo Prandi servem de base para que os alunos produzam histórias em quadrinhos e cordéis. “Um aluno criou um quadrinho em que um orixá conversava com um deus grego”, relembra.

Rodas de conversa sobre ética, convivência e valores complementam a metodologia. Mesmo assim, Núbia conta que já foi questionada por supostamente abordar religião: “Mostro que estudo símbolos africanos como estudamos mitologia grega, lendas indígenas e santos em festas populares. Resistir a isso é fruto de um racismo que demonizou o que vem da África.”

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Para a docente, conhecer a cultura de origem religiosa é fundamental na educação antirracista. “Falar de São João nas festas juninas não significa doutrinar. O mesmo vale para os orixás”, conclui.

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Redes de ensino da capital e do estado de São Paulo intensificaram o uso de quadrinhos, rodas de conversa e formações docentes para cumprir a lei de 2003, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira da educação infantil ao ensino médio. Duas décadas depois, a falta de diálogo e conflitos motivados por questões religiosas continuam sendo obstáculos.

No mês da Consciência Negra, uma escola pública paulista recebeu policiais armados chamados por um pai depois que a filha desenhou um orixá em atividade de classe. O episódio foi criticado por responsáveis, comunidade escolar e parlamentares.

Livros e orientações na rede municipal

Para apoiar o trabalho em sala, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo distribuiu 700 mil exemplares com temática étnico-racial em 2022, incluindo títulos infantis, juvenis e adultos. As unidades também utilizam o documento “Orientações Pedagógicas: Povos Afro-brasileiros”, que detalha práticas de valorização de histórias e culturas afro-brasileiras, indígenas e de migrantes.

As ações são acompanhadas pelo Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais (NEER), responsável por integrar esse acervo ao Currículo da Cidade e orientar projetos antirracistas.

Formação de professores na rede estadual

No âmbito estadual, o Programa Multiplica Educação Antirracista, conduzido pela Coordenadoria de Educação Inclusiva (COEIN) e pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EFAPE), já formou 6,8 mil docentes desde 2024 em conteúdos sobre cultura e religiosidade africanas. Segundo a Secretaria da Educação do Estado (Seduc-SP), a iniciativa garante que o tema faça parte da rotina escolar como componente da formação histórica e cultural dos estudantes.

Práticas em sala de aula

Professora de geografia há mais de 20 anos, Núbia Esteves leciona nos ensinos fundamental e médio da EMEF Solano Trindade, no Jardim Boa Vista, zona oeste paulistana. Premiada por ações de preservação da memória do bairro, ela utiliza mitologia comparada para tratar dos orixás como elementos culturais.

“Eu não trabalho religião, trabalho cultura”, afirma. Nas aulas, estudantes relacionam Iansã à deusa grega Atena, Oxum a Afrodite e Xangô a Zeus. A professora também compara divindades ligadas à natureza, como Iemanjá (mares) e Oxóssi (matas), para discutir preservação ambiental.

Quadrinhos, vídeos e trechos de autores como Pierre Verger e Reginaldo Prandi servem de base para que os alunos produzam histórias em quadrinhos e cordéis. “Um aluno criou um quadrinho em que um orixá conversava com um deus grego”, relembra.

Rodas de conversa sobre ética, convivência e valores complementam a metodologia. Mesmo assim, Núbia conta que já foi questionada por supostamente abordar religião: “Mostro que estudo símbolos africanos como estudamos mitologia grega, lendas indígenas e santos em festas populares. Resistir a isso é fruto de um racismo que demonizou o que vem da África.”

Para a docente, conhecer a cultura de origem religiosa é fundamental na educação antirracista. “Falar de São João nas festas juninas não significa doutrinar. O mesmo vale para os orixás”, conclui.

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