Pular para o conteúdo principal
Aracaju, Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Pular para o conteúdo
Economia

Estudo indica que inflação de alimentos no Brasil é estrutural e atinge mais produtos in natura

Um estudo divulgado em 31 de março de 2026 pela ONG ACT Promoção da Saúde, em parceria com a Agência Bori, conclui que a inflação de alimentos no...

01/04/2026 · 16h53 · Atualizado às 18h45
Estudo indica que inflação de alimentos no Brasil é estrutural e atinge mais produtos in natura
1064927 edit 04212

Um estudo divulgado em 31 de março de 2026 pela ONG ACT Promoção da Saúde, em parceria com a Agência Bori, conclui que a inflação de alimentos no Brasil tem caráter estrutural e tem impactado com maior intensidade produtos frescos do que itens ultraprocessados. A pesquisa foi elaborada pelo economista Valter Palmieri Junior, doutor em desenvolvimento econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Alta acima da inflação geral

O levantamento mostra que, entre junho de 2006 e dezembro de 2025, o custo da alimentação no país subiu 302,6%, enquanto a inflação medida pelo IPCA foi de 186,6%. Na comparação, o pesquisador destaca que, no mesmo intervalo, os preços dos alimentos nos Estados Unidos ficaram apenas 1,5% acima da inflação geral. Segundo o autor, aumentos de preço no setor alimentício tendem a ser persistentes e não recuam facilmente após choques.

Publicidade

Grupos alimentares com maiores altas

A pesquisa detalha que os itens com as maiores elevações foram tubérculos, raízes e legumes (359,5%), carnes (483,5%) e frutas (516,2%). O estudo indica ainda que a perda de poder de compra foi mais acentuada para alimentos in natura: entre 2006 e 2026, a capacidade de comprar frutas caiu cerca de 31% e a de adquirir hortaliças e verduras diminuiu 26,6%.

Ultraprocessados e escolhas de consumo

Ao mesmo tempo, produtos industrializados ficaram relativamente mais acessíveis: refrigerantes subiram 23,6%, enquanto embutidos como presunto e mortadela tiveram altas de 69% e 87,2%, respectivamente. O autor relaciona esse fenômeno ao uso de insumos industriais e aditivos, além de sistemas de cultivo monocultores, que reduzem a volatilidade de preço dos ingredientes básicos usados na produção em larga escala.

Modelo exportador e mudança de uso da terra

O estudo aponta que a inserção internacional do Brasil e o modelo agroexportador contribuem para a pressão permanente sobre os preços internos. Em média, as exportações de alimentos passaram de 24,2 milhões de toneladas na década de 2000 para 209,4 milhões de toneladas em 2025, enquanto as importações foram de 14,2 milhões para 17,7 milhões no mesmo período.

Houve também expansão das áreas dedicadas a culturas voltadas ao mercado externo: a área plantada com commodities como soja, milho e cana aumentou de 41,93 milhões de hectares em 2006 para 79,30 milhões em 2025. Em contraste, a área destinada a arroz, feijão, batata, trigo, mandioca, tomate e banana caiu de 10,22 milhões de hectares para 6,41 milhões no mesmo intervalo.

Você pode se interessarConteúdo patrocinado · MGID

Custo dos insumos e concentração de mercado

O trabalho registra aumentos expressivos nos preços de insumos entre os triênios 2006-2008 e 2022-2024, em moeda real: fertilizantes (+2.423%), herbicidas e reguladores (+1.870%), colheitadeiras (+1.765%), inseticidas (+1.301%), ureia (+981%) e peças para máquinas (+667%). Palmieri Junior liga esses reajustes à dependência de tecnologias e insumos controlados por oligopólios estrangeiros.

1064927 edit 04212

Além disso, o estudo evidencia concentração em várias etapas da cadeia: quatro empresas estrangeiras detêm 56% do mercado global de sementes; para pesticidas, quatro companhias respondem por 61% do mercado; fabricantes de máquinas agrícolas têm participação significativa concentrada em poucas empresas; e segmentos da indústria alimentícia apresentam altíssimas participações de poucas marcas — por exemplo, margarina (74,2% do mercado por cinco marcas de duas empresas), massas instantâneas (73,7%) e chocolates/bombons (83% por cinco marcas de três empresas).

Inflação invisível e perda de qualidade

O estudo adverte para a chamada “inflação invisível”, quando fabricantes mantêm preços, mas alteram composições, substituindo ingredientes caros por opções mais baratas e reduzindo a qualidade dos produtos, o que não é capturado pelas estatísticas oficiais.

Publicidade

Propostas

Como caminhos para reverter a trajetória, o autor aponta medidas como desconcentração produtiva e fortalecimento de economias locais, reequilíbrio entre exportação e abastecimento interno, reforço de estruturas como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e as Ceasas, ampliação do acesso à terra e concessão de crédito condicionado à produção voltada ao mercado doméstico. Palmieri Junior também cita reformas agrárias realizadas em países desenvolvidos como referência para ampliar a soberania alimentar.

Com informações de Agência Brasil

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Recomendado para vocêConteúdo patrocinado · MGID
Publicidade
Mais conteúdos para vocêConteúdo patrocinado · MGID
Sugeridas pra vocêConteúdo patrocinado · MGID
Publicidade
4 min de leitura

Um estudo divulgado em 31 de março de 2026 pela ONG ACT Promoção da Saúde, em parceria com a Agência Bori, conclui que a inflação de alimentos no Brasil tem caráter estrutural e tem impactado com maior intensidade produtos frescos do que itens ultraprocessados. A pesquisa foi elaborada pelo economista Valter Palmieri Junior, doutor em desenvolvimento econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Alta acima da inflação geral

O levantamento mostra que, entre junho de 2006 e dezembro de 2025, o custo da alimentação no país subiu 302,6%, enquanto a inflação medida pelo IPCA foi de 186,6%. Na comparação, o pesquisador destaca que, no mesmo intervalo, os preços dos alimentos nos Estados Unidos ficaram apenas 1,5% acima da inflação geral. Segundo o autor, aumentos de preço no setor alimentício tendem a ser persistentes e não recuam facilmente após choques.

Grupos alimentares com maiores altas

A pesquisa detalha que os itens com as maiores elevações foram tubérculos, raízes e legumes (359,5%), carnes (483,5%) e frutas (516,2%). O estudo indica ainda que a perda de poder de compra foi mais acentuada para alimentos in natura: entre 2006 e 2026, a capacidade de comprar frutas caiu cerca de 31% e a de adquirir hortaliças e verduras diminuiu 26,6%.

Ultraprocessados e escolhas de consumo

Ao mesmo tempo, produtos industrializados ficaram relativamente mais acessíveis: refrigerantes subiram 23,6%, enquanto embutidos como presunto e mortadela tiveram altas de 69% e 87,2%, respectivamente. O autor relaciona esse fenômeno ao uso de insumos industriais e aditivos, além de sistemas de cultivo monocultores, que reduzem a volatilidade de preço dos ingredientes básicos usados na produção em larga escala.

Modelo exportador e mudança de uso da terra

O estudo aponta que a inserção internacional do Brasil e o modelo agroexportador contribuem para a pressão permanente sobre os preços internos. Em média, as exportações de alimentos passaram de 24,2 milhões de toneladas na década de 2000 para 209,4 milhões de toneladas em 2025, enquanto as importações foram de 14,2 milhões para 17,7 milhões no mesmo período.

Houve também expansão das áreas dedicadas a culturas voltadas ao mercado externo: a área plantada com commodities como soja, milho e cana aumentou de 41,93 milhões de hectares em 2006 para 79,30 milhões em 2025. Em contraste, a área destinada a arroz, feijão, batata, trigo, mandioca, tomate e banana caiu de 10,22 milhões de hectares para 6,41 milhões no mesmo intervalo.

Custo dos insumos e concentração de mercado

O trabalho registra aumentos expressivos nos preços de insumos entre os triênios 2006-2008 e 2022-2024, em moeda real: fertilizantes (+2.423%), herbicidas e reguladores (+1.870%), colheitadeiras (+1.765%), inseticidas (+1.301%), ureia (+981%) e peças para máquinas (+667%). Palmieri Junior liga esses reajustes à dependência de tecnologias e insumos controlados por oligopólios estrangeiros.

1064927 edit 04212

Além disso, o estudo evidencia concentração em várias etapas da cadeia: quatro empresas estrangeiras detêm 56% do mercado global de sementes; para pesticidas, quatro companhias respondem por 61% do mercado; fabricantes de máquinas agrícolas têm participação significativa concentrada em poucas empresas; e segmentos da indústria alimentícia apresentam altíssimas participações de poucas marcas — por exemplo, margarina (74,2% do mercado por cinco marcas de duas empresas), massas instantâneas (73,7%) e chocolates/bombons (83% por cinco marcas de três empresas).

Inflação invisível e perda de qualidade

O estudo adverte para a chamada “inflação invisível”, quando fabricantes mantêm preços, mas alteram composições, substituindo ingredientes caros por opções mais baratas e reduzindo a qualidade dos produtos, o que não é capturado pelas estatísticas oficiais.

Propostas

Como caminhos para reverter a trajetória, o autor aponta medidas como desconcentração produtiva e fortalecimento de economias locais, reequilíbrio entre exportação e abastecimento interno, reforço de estruturas como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e as Ceasas, ampliação do acesso à terra e concessão de crédito condicionado à produção voltada ao mercado doméstico. Palmieri Junior também cita reformas agrárias realizadas em países desenvolvidos como referência para ampliar a soberania alimentar.

Com informações de Agência Brasil

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Receba as notícias no seu WhatsApp

Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe

Entrar no canal →

Publicidade

EM ALTA AGORA