Washington pressiona aliados da Otan a aumentarem gastos com defesa. Revisão do efetivo americano na Europa pode durar seis meses e inclui consultas ao Congresso.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou uma nova revisão do destacamento de tropas americanas na Europa, durante uma reunião com ministros da Defesa na sede da Otan em Bruxelas, nesta quinta-feira (17). Hegseth alertou que, caso os aliados que se beneficiam da aliança não cumpram com seus compromissos de gastos com defesa, os EUA poderão reter parte das contribuições à Otan.
A revisão do destacamento de tropas americanas terá duração de até seis meses e incluirá consultas com o Congresso dos EUA, que já estabeleceu um número mínimo de tropas na Europa por meio de legislação. Embora não tenha afirmado explicitamente que a revisão poderia resultar em cortes de tropas, Hegseth destacou que o objetivo é incentivar os países europeus a contribuírem mais para a defesa do continente, ao mesmo tempo em que os EUA garantem o cumprimento de seus compromissos globais.
“Não se enganem, esta será uma verdadeira revisão. Ela será concebida para garantir que a Otan avance de forma rápida e irreversível rumo à liderança da Europa, assumindo a responsabilidade primordial pela defesa do continente”, afirmou Hegseth.
O secretário de Defesa também criticou os aliados que não apoiaram os EUA durante a guerra com o Irã, especialmente aqueles que negaram o uso de bases militares americanas. Hegseth ressaltou que a revisão garantirá os direitos de utilização de bases e sobrevoo em áreas estratégicas.
Esses comentários ocorrem em um momento em que os países da aliança buscam preencher lacunas em suas capacidades militares, após cortes nas contribuições americanas. No mês passado, os EUA informaram que decidiram reduzir o conjunto de capacidades militares disponíveis para a aliança em situações de crise, o que levanta preocupações entre os líderes que se preparam para a cúpula da Otan em Ancara, programada para os dias 7 e 8 de julho.
Essa medida visa acabar com a “codependência prejudicial” das forças americanas, especialmente diante da possibilidade de conflitos simultâneos em várias frentes, segundo o general Alexus Grynkewich, comandante supremo da Otan. Ao chegar à reunião em Bruxelas, Hegseth reiterou que os Estados Unidos seriam transparentes sobre os países que precisam se esforçar mais.
“(Há) alguns que ainda precisam fazer mais, e seremos francos sobre isso, tanto em privado quanto em público. Acho importante que amigos sejam honestos uns com os outros”, disse Hegseth.
Hegseth também mencionou que a nova abordagem da Otan, chamada de “OTAN 3.0”, representa um reconhecimento pós-Guerra Fria sobre a necessidade de uma aliança militar robusta, com capacidades reais para dissuadir ameaças no continente europeu.
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