Candidata a vice-governadora alega violência política de gênero; três postulantes à Câmara Federal desistem apontando repasses inviáveis, desorganização e tratamento discriminatório no fundo eleitoral.
O cenário eleitoral de 2026 em Sergipe sofreu um forte abalo nos últimos dias. A Federação PSDB-Cidadania enfrenta uma grave crise interna que culminou na renúncia oficial de quatro membros de suas chapas majoritária e proporcional. Documentos protocolados junto à Justiça Eleitoral confirmaram a saída da candidata a vice-governadora, Suely Chaves Barreto, e de três candidatos a deputado federal: Natali Lima Aragão, Marcos Antônio Fontes da Silva e José Acácio Ferreira Cardoso.
A desistência de Suely Barreto da chapa que disputa o Governo do Estado foi oficializada no dia 10 de setembro. Em sua declaração de renúncia, a agora ex-candidata fundamentou sua decisão em denúncias de violência política de gênero, amparando-se na Lei nº 14.192/2021. No documento, ela solicitou que o partido fosse notificado para providenciar sua substituição dentro do prazo legal e confirmou estar ciente de suas obrigações de prestação de contas do período em que esteve na disputa.
Na disputa por vagas na Câmara dos Deputados, as motivações revelam um descontentamento generalizado com a gestão financeira e estrutural da campanha. A candidata Natali Lima Aragão (4555), que também renunciou no dia 10, declarou ter recebido apenas R$ 5 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) — montante classificado por ela como inviável para uma corrida federal. Natali denunciou a total ausência de coordenação, falta de condições materiais para divulgação, inexistência de ambiente partidário integrativo e tratamento discriminatório na distribuição das verbas.
O mesmo cenário foi exposto pelo candidato José Acácio Ferreira Cardoso (4545), que protocolou sua saída no mesmo dia sob queixas idênticas, após também receber um repasse insuficiente de R$ 5 mil. Já a situação de Marcos Antônio Fontes da Silva (4510), que formalizou sua renúncia em 9 de setembro, foi ainda mais drástica: ele relatou não ter sido contemplado com nenhum centavo dos recursos do Fundo Eleitoral, reiterando as denúncias de falta de estrutura e discriminação entre os candidatos proporcionais da federação.
As quatro baixas simultâneas representam um duro golpe para a estratégia da Federação PSDB-Cidadania no estado, esvaziando a chapa proporcional e forçando uma reorganização de emergência na chapa majoritária. Todos os desistentes reconheceram a obrigação legal de prestar contas à Justiça Eleitoral sobre o período em que figuraram como candidatos.
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