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Saúde

Férias escolares fazem avós faltarem a consultas e atrasam tratamentos

No Dia dos Avós, especialistas alertam sobre cuidados com a saúde durante as férias escolares.

26/07/2026 · 00h00 · Atualizado às 18h18
Férias escolares fazem avós faltarem a consultas e atrasam tratamentos

Especialistas alertam que muitos idosos adiam consultas, exames e reabilitação para cuidar de netos no recesso escolar. Consequências incluem diagnósticos tardios, piora clínica e sobrecarga ao SUS.

No Dia dos Avós, celebrado neste domingo (26), especialistas destacam um efeito pouco percebido das férias escolares: o aumento no número de idosos que deixam de comparecer a consultas, exames e sessões de reabilitação para cuidar dos netos. Essa situação, comum em muitas famílias, pode atrasar diagnósticos, comprometer tratamentos e trazer prejuízos tanto para os pacientes quanto para o sistema de saúde.

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A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) informa que, embora não existam dados nacionais consolidados, estudos amostrais realizados em diferentes estados indicam que o índice de faltas, que normalmente varia entre 20% e 30%, pode alcançar quase 40% durante o mês de julho. Isso representa um aumento de aproximadamente 25% a 50% em relação ao padrão habitual.

O aumento é observado em cidades como São Paulo. Segundo o médico geriatra Eduardo Canteiro Cruz, diretor administrativo da SBGG, o número de faltas pode crescer em até 30% durante as férias escolares. Ele explica:

“O principal motivo não é o inverno, mas o fato de muitos avós integrarem a rede de apoio das famílias durante as férias escolares, quando os pais nem sempre conseguem estar disponíveis. Eles acabam priorizando o cuidado com os netos e adiando necessidades importantes relacionadas à própria saúde.”

Os especialistas alertam que faltar a uma consulta vai além de perder um horário agendado. O adiamento do acompanhamento médico pode atrasar diagnósticos, interromper tratamentos e comprometer processos de reabilitação. Eduardo destaca que algumas doenças exigem acompanhamento rigoroso e qualquer atraso pode influenciar diretamente o prognóstico.

“Em doenças como o câncer, por exemplo, faltar a uma consulta significa assumir um risco maior para o próprio tratamento. Além disso, do ponto de vista do sistema público, trata-se de um recurso que deixa de ser utilizado, em um cenário em que a demanda já é muito superior à oferta.”

Ele também alerta que a interrupção de tratamentos de reabilitação pode fazer com que a pessoa idosa perca parte dos avanços conquistados, tornando-se novamente mais vulnerável.

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A terapeuta ocupacional e doutora em Gerontologia, Elcyana Bezerra Carvalho, conselheira da SBGG no Ceará, ressalta que participar da rotina dos netos é parte da chamada “avosidade” e traz benefícios emocionais para toda a família. Contudo, o problema surge quando essa participação substitui os cuidados com a saúde.

“Existe uma diferença entre conviver com os netos e assumir a responsabilidade diária pelos cuidados. A convivência costuma ser prazerosa, mas o cuidado cotidiano exige reorganizar horários, compromissos e toda a rotina.”

Segundo ela, o maior desafio é evitar que a dedicação aos netos faça com que os avós deixem de lado hábitos fundamentais para um envelhecimento saudável.

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“Quando toda a rotina passa a girar em torno das necessidades dos netos, existe o risco de a pessoa idosa adiar atividades físicas, momentos de descanso, participação social e o acompanhamento médico, que também são essenciais para sua qualidade de vida.”

Apesar dos alertas, os especialistas ressaltam a importância da convivência entre avós e netos. O período de férias escolares pode ser uma oportunidade de fortalecer vínculos afetivos e criar lembranças significativas entre diferentes gerações. O desafio, conforme a SBGG, é encontrar um equilíbrio para que o apoio dos avós não ocorra às custas da própria saúde.

“As férias são uma excelente oportunidade para criar boas memórias e fortalecer os laços familiares. O importante é que isso não signifique abrir mão das consultas, dos exames ou dos cuidados necessários para garantir qualidade de vida também na velhice.”

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Especialistas alertam que muitos idosos adiam consultas, exames e reabilitação para cuidar de netos no recesso escolar. Consequências incluem diagnósticos tardios, piora clínica e sobrecarga ao SUS.

No Dia dos Avós, celebrado neste domingo (26), especialistas destacam um efeito pouco percebido das férias escolares: o aumento no número de idosos que deixam de comparecer a consultas, exames e sessões de reabilitação para cuidar dos netos. Essa situação, comum em muitas famílias, pode atrasar diagnósticos, comprometer tratamentos e trazer prejuízos tanto para os pacientes quanto para o sistema de saúde.

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) informa que, embora não existam dados nacionais consolidados, estudos amostrais realizados em diferentes estados indicam que o índice de faltas, que normalmente varia entre 20% e 30%, pode alcançar quase 40% durante o mês de julho. Isso representa um aumento de aproximadamente 25% a 50% em relação ao padrão habitual.

O aumento é observado em cidades como São Paulo. Segundo o médico geriatra Eduardo Canteiro Cruz, diretor administrativo da SBGG, o número de faltas pode crescer em até 30% durante as férias escolares. Ele explica:

“O principal motivo não é o inverno, mas o fato de muitos avós integrarem a rede de apoio das famílias durante as férias escolares, quando os pais nem sempre conseguem estar disponíveis. Eles acabam priorizando o cuidado com os netos e adiando necessidades importantes relacionadas à própria saúde.”

Os especialistas alertam que faltar a uma consulta vai além de perder um horário agendado. O adiamento do acompanhamento médico pode atrasar diagnósticos, interromper tratamentos e comprometer processos de reabilitação. Eduardo destaca que algumas doenças exigem acompanhamento rigoroso e qualquer atraso pode influenciar diretamente o prognóstico.

“Em doenças como o câncer, por exemplo, faltar a uma consulta significa assumir um risco maior para o próprio tratamento. Além disso, do ponto de vista do sistema público, trata-se de um recurso que deixa de ser utilizado, em um cenário em que a demanda já é muito superior à oferta.”

Ele também alerta que a interrupção de tratamentos de reabilitação pode fazer com que a pessoa idosa perca parte dos avanços conquistados, tornando-se novamente mais vulnerável.

A terapeuta ocupacional e doutora em Gerontologia, Elcyana Bezerra Carvalho, conselheira da SBGG no Ceará, ressalta que participar da rotina dos netos é parte da chamada “avosidade” e traz benefícios emocionais para toda a família. Contudo, o problema surge quando essa participação substitui os cuidados com a saúde.

“Existe uma diferença entre conviver com os netos e assumir a responsabilidade diária pelos cuidados. A convivência costuma ser prazerosa, mas o cuidado cotidiano exige reorganizar horários, compromissos e toda a rotina.”

Segundo ela, o maior desafio é evitar que a dedicação aos netos faça com que os avós deixem de lado hábitos fundamentais para um envelhecimento saudável.

“Quando toda a rotina passa a girar em torno das necessidades dos netos, existe o risco de a pessoa idosa adiar atividades físicas, momentos de descanso, participação social e o acompanhamento médico, que também são essenciais para sua qualidade de vida.”

Apesar dos alertas, os especialistas ressaltam a importância da convivência entre avós e netos. O período de férias escolares pode ser uma oportunidade de fortalecer vínculos afetivos e criar lembranças significativas entre diferentes gerações. O desafio, conforme a SBGG, é encontrar um equilíbrio para que o apoio dos avós não ocorra às custas da própria saúde.

“As férias são uma excelente oportunidade para criar boas memórias e fortalecer os laços familiares. O importante é que isso não signifique abrir mão das consultas, dos exames ou dos cuidados necessários para garantir qualidade de vida também na velhice.”

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